A pesquisa e o novo retrato do Brasil; Por Acrísio Sena

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A nova pesquisa da More in Common, em parceria com a Quaest, confirma o que o Brasil já sente nas ruas: a polarização que dominou o debate político nos últimos anos está perdendo força. Segundo o levantamento, 54% dos brasileiros não se identificam nem com a esquerda nem com a direita. São cidadãos que acreditam mais em valores como solidariedade, convivência e resultados concretos do que em discursos de ódio e ações extremadas.

Esse é o retrato do Brasil real — o Brasil que trabalha, estuda, cuida da família e quer viver com dignidade. É um sinal claro de que o povo cansou dos debates políticos sem qualidade e quer soluções. Quer ver o Estado funcionar, as políticas públicas chegarem e a vida melhorar.

A verdade é que a polarização foi muito mais um fenômeno centrado e fomentado na figura do ex-presidente Bolsonaro do que uma disputa de projetos de país. Foi uma guerra fabricada em laboratórios virtuais para dividir o povo, enfraquecer as instituições e alimentar um clima permanente de medo e intolerância. A extrema direita apostou na desinformação e no ódio como estratégia de poder. Mas o Brasil é maior do que isso — e está escolhendo o caminho do equilíbrio, da reconstrução e da esperança.

O desafio agora é político e social. A pesquisa revela também a desgaste crescente das nossas instituições — 41% não confiam no Congresso, 38% na imprensa, 37% no Supremo Tribunal Federal e 35% no Tribunal Superior Eleitoral. Isso mostra que a democracia precisa ser fortalecida não apenas com leis, mas com credibilidade, diálogo e resultados concretos na vida do povo.

A esquerda, com todas as suas imperfeições, já demonstrou, sobretudo nos governos Lula, a capacidade de formular e executar um projeto de Estado voltado ao desenvolvimento com inclusão social. A direita, ao contrário, segue sem apresentar um projeto consistente — nem para o Brasil, nem para o Ceará, nem para Fortaleza. Falta visão de futuro, compromisso com o povo e programa concreto para enfrentar as desigualdades.

O Brasil precisa reencontrar seu caminho pela política com “P” maiúsculo — aquela que constrói, une e transforma. O tempo da intolerância acabou. É hora de unir o país pela esperança, pela justiça social e pela eficiência do Estado.

A pesquisa é um aviso e também uma oportunidade: o povo quer mais governo, mais respeito e mais resultado. Cabe a nós, lideranças políticas, ouvir essa voz com humildade e transformar esse sentimento em ação.

Acrisio Sena é historiador e Deputado Estadual — PT

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