
Há momentos em que o silêncio institucional fala mais alto do que discursos inflamados. Quando a Suprema Corte se vê no centro de investigações que tocam seus próprios membros, o que está em jogo não é apenas a legalidade de atos pontuais, mas a espinha dorsal da democracia. O Judiciário não é um poder qualquer. Ele é o último fiador da confiança pública. Quando essa confiança vacila, todo o edifício republicano sente o abalo.
A democracia não se sustenta apenas pelo voto. Sustenta-se pela ética visível, pela coerência entre discurso e prática, pela disposição de submeter-se às mesmas regras que se exige dos demais. A soberania, por sua vez, não se confunde com fechamento corporativo nem com blindagem institucional. Soberano é o Estado que se deixa escrutinar, que aceita a luz mesmo quando ela incomoda.
O problema não nasce da apuração. Nasce da suspeita de que investigar possa ser também uma forma de intimidar, de deslocar o foco, de controlar o ritmo da verdade. Quando órgãos de controle passam a atuar sob a sombra do medo ou da pressão, o equilíbrio entre os Poderes se fragiliza. E sem equilíbrio, a democracia se torna apenas uma palavra elegante, esvaziada de conteúdo.
Não se trata de condenar antes do tempo, nem de absolver por conveniência. Trata-se de compreender que a ética pública exige mais do que legalidade estrita. Exige prudência, transparência e, sobretudo, exemplo. A Suprema Corte não pode parecer um território imune às mesmas virtudes que cobra da sociedade.
Em tempos de tensão, o verdadeiro gesto de soberania é permitir que a verdade siga seu curso, sem atalhos e sem tutelas. A democracia agradece. A história registra. E a confiança, uma vez preservada, continua sendo o maior patrimônio de uma Nação.
Gera Teixeira é empresário ítalo-brasileiro com atuação nos setores de construção civil e engenharia de telecomunicações. Graduado em Marketing, com formação executiva pela Fundação Dom Cabral e curso em Inovação pela Wharton School (EUA). Atualmente cursa Pós-graduação em Psicanálise e Contemporaneidade pela PUC. Atuou como jornalista colaborador em veículos de grande circulação no Ceará. Integrou o Comites Italiano Nordeste, órgão representativo vinculado ao Ministério das Relações Exteriores da Itália. Tem participação ativa no associativismo empresarial e sindical.







