
O mundo moderno encontra-se em profunda crise. Muitos especialistas acreditam que na história da humanidade dos últimos cem anos não há registro de situação tão perturbadora como a dos nossos dias. Crise econômica, política, moral, religiosa, de autoridade, da família e das instituições, além dos conflitos militares desumanos.
Um exemplo dessa turbulência política e social é o que estamos assistindo no momento no Brasil: crise econômica e os casos dos julgamentos do mensalão, investigações do Lava-Jato e tantas outras aberrações de atos de corrupção pública e privada. Também em outros países, tradicionalmente exemplos de seriedade e economia estáveis, estão ocorrendo crises de terrorismo e imigrações massivas que afetam o conjunto da sociedade.
O pior dessa situação, no tocante ao Brasil, é que não vemos claramente os caminhos que o País vai seguir para a superação definitiva dessa complexa crise, como são as reformas previdenciária e fiscal e a dívida pública astronômica.
Em tal ambiente, o Brasil vem perdendo credibilidade junto as Agências internacionais de avalição para os investimentos. Ao tempo em que ouvimos os governantes reconhecerem, de modo constrangedor, que erraram em suas políticas e estratégias da gestão da economia do País. Para muitos analistas, os governantes perderam a navegabilidade da economia e precisam de novos planos de recuperação e avanços no crescimento.
Na verdade, é preciso levar em conta que o processo de desenvolvimento é complexo e envolve muitos fatores intangíveis, tais como padrões culturais e valores sociais, além de infraestrutura. Esse fenômeno contém dimensões políticas e institucionais, assim como elementos econômicos. Depende também de fatores externos incontroláveis e de forças internas mais suscetíveis de controle, mas dependente da capacidade de gestão.
O Desenvolvimento do Brasil tem sido limitado por obstáculos determinados pelas características de seu meio físico, como é a grande região semiárida do Nordeste, e as dificuldades de colonização da Amazônia. Em contrapartida, outras regiões do Sul, Sudeste e Centro-Oeste com fatores físicos valiosos têm ajudado o País a levar a bom termo um crescimento continuado.
Na verdade, o Brasil é o quarto maior País do mundo, com oito milhões de quilômetros quadrados, correspondendo a quase 50% da América do Sul. Superou os 200 milhões de habitantes e, portanto, é um grande mercado interno. Entretanto, o professor Stefan Robock (Nações Unidas/BNB), no seu livro sobre o Brasil em Debates, destaca que o Brasil, durante séculos, deixou de atribuir grau elevado de prioridade ao investimento em seus recursos humano. Mas reconhece que poucos países do mundo conseguiram um grau tão notável de unidade cultural e religiosa.
Esses comentários visam motivar uma reflexão sobre as razões porque o Brasil precisa formular um planejamento mais científico. É preciso ter-se um mapeamento dos problemas, prioridades, estratégias e necessidade de recursos. Esses são os referenciais atualmente inexistentes no acompanhamento das ações que alcancem as suas verdadeiras necessidades, reduzindo os riscos de corrupção e fraudes nos investimentos públicos.
Diante de uma crise como a atual no Brasil, o Governo e a autoridade monetária precisam estar atentos aos problemas de estabilidade econômica, dívida interna e externa, sistema cambial, taxas de juros e, principalmente, ao desempenho da economia em todos os seus aspectos. São questões ligadas às políticas e a gestão do setor público, mas as consequências têm efeitos sociais diretos.
O que desejo destacar, entretanto, é que o maior problema do Brasil diz respeito ao elevado nível de pessoas abaixo da linha de pobreza. Especialmente a pobreza crônica que se mantém inalterada nos últimos vinte anos, a despeito da adoção de conceitos que nos últimos anos indicam uma suposta redução nesses índices. (Sisnando, Armas Contra a Pobreza,HBM,2016) . Aliás, Bento XVI, em certa ocasião, no dia internacional para a Erradicação da Pobreza, convidou a todas as pessoas de boa vontade a “Rejeitarem a fatalidade da miséria”, e conclamou para que fosse dada particular atenção às pessoas e famílias mais desfavoráveis e os mais frágeis da sociedade. Rejeitava , porém, todas as formas de ajuda assistencialista duradouras que ferem a dignidade humana.
É no Nordeste do Brasil, entretanto, onde se encontra a maior parte dos pobres do Brasil, razão porque o Governo Federal deve atribuir uma grande prioridade ao desenvolvimento regional. São mais de 50 milhões de brasileiros, dos quais praticamente a metade vive no Nordeste abaixo da linha da pobreza absoluta e em condições de miséria.
No momento em que ocorre a mudança de governo, é hora de se exigir o cumprimento da Constituição Federal de 1988, nos seus vários Artigos que tratam da questão regional: São especificados nesse documento órgãos regionais fortes e planejamento abrangente, redução das disparidades regionais, erradicação da pobreza real, incentivos diferenciados para as atividades econômicas, tratamento especial para o semiárido e sustentação dos Bancos de Desenvolvimento Regional.
Nas últimas décadas, o Nordeste tem sido preterido na política nacional de desenvolvimento, apesar de muita propaganda Falta um Projeto Federal de Desenvolvimento regional, como denunciava o ex-Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo Dilma Rousseff , Prof. Roberto Mangabeira Unger. Estudos do Instituto Econometrix (ex-técnicos do BNB e Professores veteranos da UFC) afirmam que O Banco do Nordeste do Brasil precisa ser fortalecido para cumprir sua função de agência de desenvolvimento econômico regional, especialmente diante da crise que passam as demais Instituições congêneres, como a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste e o DNOCS.
Os recursos governamentais, associados à contribuição do setor privado local, deveriam ser canalizados para apoio aos setores produtivos, geradores de renda e emprego e não a projetos de infraestrutura do setor público, como pretendem os governadores do Nordeste.Com isso advirá o surgimento de um sistema econômico fortalecido e gradativamente autossustentado, diminuindo a necessidade futura de transferência de recursos para a Região. Um Nordeste mais desenvolvido, finalmente, garantirá a redução das pressões sociais que a pobreza acarreta. (Sisnando, O verdadeiro Desenvolvimento Econômco, LCR, 2009).







