Das pesquisas divulgadas nesta semana, duas delas trazem informações importantes sobre o capital político de André Fernandes (PL) e de Evandro Leitão (PT) entre eleitores acionados a partir do viés religioso. Tanto a pesquisa AtlasIntel, contratada pelo Focus Poder, quanto a pesquisa Datafolha, contratada pelo Grupo O Povo de Comunicação, apontam empate técnico entre os dois candidatos, com ligeira margem de vantagem para André de apenas 2 pontos em cada uma delas.
Mas, há segmentos em que a muralha do candidato do PL mostra-se intransponível. Ou quase. É o caso dos evangélicos.
Na Atlas, André aparece com 81% das intenções de voto entre evangélicos; Evandro, com apenas 18%. Dentre eles, apenas 26% aprovam Lula e 62% o desaprovam. 79% deles têm imagem positiva de André, ao passo que 81% têm imagem negativa de Evandro (apenas 18% têm uma imagem positiva do petista). Quando se observa a questão dos líderes, 58% veem Camilo Santana de modo negativo (contra 34% positivamente), 73% negativamente olham para Elmano e 60% olham positivamente para … Bolsonaro!
No Datafolha, por sua vez, André tem 61% das intenções de voto, ao passo que Evandro apenas 25%, o que é explicado pelos índices de rejeição, onde mora o perigo para Evandro, cujo índice é de 59% entre evangélicos, enquanto André tem apenas 28%.
No dia 09 de agosto o governador Elmano anunciou, ao lado de um ex-desafeto (deputado Apóstolo Luiz Henrique), que distribuiria “Bíblia nas escolas estaduais”, num claro aceno ao eleitorado evangélico para blindar o candidato petista das famigeradas acusações de “inimigo da fé” que se impõem à esquerda. O fato causou alvoroço entre lideranças do segmento, acusando a ação de “eleitoreira”. O fato é que, no primeiro turno, Evandro (ou melhor, o “candidato petista”) não viu nenhuma mobilização anti-religiosa contra si, dando mostras de, nesse aspecto, o anúncio do governador ter funcionado.
Agora, porém, no segundo turno contra alguém que carrega, com orgulho, a marca de antipetista, os valores religiosos entram em cena e criam uma muralha a favor de André, “filho e neto de pastor”. No começo da semana, um evento reuniu dezenas de pastores em apoio a ele.
Onde estão os apoios de Evandro? Onde está o Republicanos, que marchou na coligação, e que é um partido da Igreja Universal, uma máquina poderosa de votos? Onde estão Ronaldo Martins, Bispa Vanessa e o Apóstolo?
Para não dizer que não falei de flores: circula um vídeo de Chiquinho Feitosa, presidente do REP, com Ronaldo Martins. Nele, o vereador reeleito se limita a agradecer o trabalho de Feitosa. Nenhuma declaração a favor de Evandro.
Então, garantida pelo PT nas escolas, a Bíblia garantirá, ao PT, os votos na urna?
