Camilo e General têm pela frente duras tarefas

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Por Fábio Campos (no O Povo deste domingo)
fabiocampos@focuspoder.com.br

A DURA TAREFA DE CAMILO
Um governador que vai disputar a reeleição tem como influenciar e até mesmo controlar a seu favor praticamente todas as variáveis que são importantes para a tomada de posição dos eleitores. No comando da máquina, o candidato a reeleição atua de forma estratégica tanto na área da política, atraindo adversários para o seu campo, quanto na área administrativa, criando programas que garantem uma boa narrativa para usar na campanha eleitoral.
Porém, nas circunstâncias do Ceará, há uma variável que se apresenta com características incontroláveis no curto prazo. No caso, a insegurança pública. Todo os dias o cotidiano dos cidadãos é bombardeado por fatos e notícias acerca da violência. Agora, mais do que nunca, esses fatos chegam aos eleitores por um aparelho que está permanentemente em suas mãos, o smartphone.
Pergunte, caro leitor, a pobres, ricos e remediados quais os problemas que mais o afligem. Entre três respostas, sempre estará a insegurança. Geralmente, é o primeiro item citado. Não preciso de pesquisa para garantir que o tema “saúde” é a aflição que vem em segundo lugar. Juntos, os dois temas definem o voto do eleitorado livre.
Atentem para um valor inerente aos dois temas. A vida. Insegurança e saúde se relacionam com o patrimônio maior do cidadão. Não é à toa que se sobreponham na mente dos eleitores acima do, por exemplo, desemprego, chaga que atinge em cheio o País desde 2014.
O fato é que Camilo Santana (PT) terá pela frente a dura tarefa de convencer os eleitores de que é capaz de dar as respostas que as pessoas precisam na área da segurança pública. Penso que o discurso que vem sendo colocado até aqui não será suficiente para aplacar os ânimos dos eleitores, que anda exaltados nesse ponto.
Tornou-se praxe tanto do Governo quanto de sua base política exaltar que Camilo Santana vem movendo mundos e principalmente fundos para combater a violência. Contratação de policiais, compra de equipamentos, extensão para o Interior de programas como o Raio e outros formam a base do discurso. Porém, a violência só cresceu. E de forma exacerbada.
Contra o discurso, os índices tendem a imperar. A insatisfação deixou de ser exclusividade das manifestações em redes sociais e já provocou o surgimento de movimentos de rua. Ainda tímidos, é verdade, mas a sensação é que, a qualquer momento, mais um brutal assassinato torne-se o estopim para levar a classe média ao meio fio.
 
A DURA TAREFA DO GENERAL
Camilo Santana entra na eleição como franco favorito. O governador tem muito mais do que a máquina administrativa nas mãos. Há bons programas, há conquistas relevantes em diversas áreas. Na campanha, Camilo levará o jogo para os campos de atuação de sua gestão que deram resultados. É de praxe.
Ao lado do governador, há também a mais fabulosa máquina de ganhar eleições que o Ceará já viu. Os Ferreira Gomes são profissionais do ramo. Conhecem as tripas da nossa política como ninguém. Mergulham nas campanhas eleitorais sempre como se fosse a última.
Bom, agora há sinais ainda não definitivos de que a oposição tem um candidato. Sua guerra será duríssima. Só há uma chance para o General Theophilo: encarnar uma ideia de mudança para melhor. Mostrar que é capaz de inverter os índices da violência, de melhorar as políticas de saúde e de aprimorar o que vem dando certo.
Porém, para que assim seja, é preciso que haja um clima de mudança. Haverá? Não sei. Quando há, não há máquina ou esquema político que impeça a mudança. Ela costuma ser avassaladora. Cid Gomes sabe muito bem disso quando ganhou no primeiro turno em 2006. Tasso Jereissati sabe também. Foi o devastador desejo de mudar que, há 32 anos, fez do empresário o governador do Ceará.
Costumo dizer que a eleição vindoura é um buraco profundo e escuro. Qualquer avaliação com ares de definitiva é exercício de adivinhação ou coisa de torcedor organizado. A política do País passou (ainda passa) por uma terrível tempestade que colocou a política e os políticos no olho do furacão.
Uma coisa, porém, arrisco-me a afirmar: a escolha do PSDB, se conseguir agregar o que resta de oposição, tende a dar muito trabalho aos governistas. Motivos: a patente General de Exército, por si só, encarna um programa de segurança, currículo com substância, o fato de ser nome novo fora da política tradicional e com ficha limpa.

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