
Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho
Post Convidado
O título acima remonta ao tempo da chegada ao novo mundo, partindo-se da Europa à América central e posteriormente, as diversas denominações dadas a um povo “menos desenvolvido”, ao menos sobre a visão dos conquistadores da época. Justifica-se o termo de canibais, ao nome de Cam, filho de Noel, destinado a servo eterno por desdenhar de seu pai alcoolizado.
A lembrança da história se traduz em sentimentos nostálgicos e, também, noutros instantes, de reflexões dualistas. O fato acima é um exemplo da lembrança da vida sem a complexidade das cidades, mas também da percepção de insensibilidade aos valores de outros. O ditos “canibais” eram culpados da sua própria cultura.
Há algum tempo tenho a percepção da mudança de uma era! Vivenciamos o paradoxo da resistência como os canibais assim o fizeram, e a inexorável mudança continua comprovada pelo tempo e seus ensinamentos.
Ao meu ver, entendo a rejeição à precocidade das descobertas, em qualquer área do conhecimento, ao descompasso entre a razão e a emoção. Cito uma conferência do professor Mário Rigatto, “ o homem tem conhecimento do século XXI e emoção da pré-história. Pois bem, ao meu ver nos encontramos mais uma vez sobre esse dilema. Entre entender uma forma de convivência do futuro, capaz de resgatar momentos de harmonia e convivência pacífica, e não quedar ao imediatismo das necessidades individuais, ou estabelecer um comportamento monotemático atribuindo aos outros a responsabilidade das angústias, medos e fracassos. A dualidade do nosso comportamento não é um defeito, e sim uma característica que nos permite retroceder e reconhecer a história em contexto epistemológico, pois não são raros os avanços permitidos pela dualidade.
Ao contrário do que muitas vezes divulgamos, coerência nem sempre significa estar no caminho da verdade. Mahatma, Gandhi, a boa alma disse algo como mudo minhas ideias diariamente, pois elas representam minha evolução. Referia-se à decisão de trair os interesses da Inglaterra permitir a libertação da Índia.
Enfim, sou médico, aliás mais homem do que médico. Exercito, todas as manhãs, assim como agora o faço, o esforço para compreender o contraditório. Trata-se de uma forma de religião, acredito que assim compreenderei o encontro comigo mesmo, em algum aspecto a tradução da morte. A morte é, sob minha ótica, a tradução final da nossa dualidade, entre os acertos e erros, o encontro inexorável consigo mesmo. Assim entendo que somos poeiras do passado, traduzidas em emoção, história e conhecimento, e transição para o futuro, a busca constante de adaptações sedutoras da eternidade, somente possível pela construção do alicerce das próximas gerações, e talvez raças, a depender das nossas convicções filosóficas.







