Cartões movimentam R$ 4,1 trilhões em 2024 e batem recorde histórico

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Foto: Reprodução

O fato: O setor de meios eletrônicos de pagamento alcançou um marco inédito em 2024: os cartões de crédito, débito e pré-pago movimentaram R$ 4,1 trilhões no ano, um crescimento de 10,9% em relação a 2023. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (12) pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Os cartões de crédito responderam por R$ 2,8 trilhões do total, enquanto os de débito movimentaram R$ 1 trilhão e os pré-pagos, R$ 379,4 bilhões. O número de transações também avançou, chegando a 45,7 bilhões no ano (+8,2%).
Pix impacta crescimento do débito: Os dados apontam que o crédito liderou o avanço no número de transações, com alta de 11,2% (19,8 bilhões de operações), seguido pelo pré-pago (+14,5%), que somou 9,2 bilhões de transações. Já o débito registrou crescimento de apenas 1,9% (16,7 bilhões de operações), reflexo da concorrência cada vez maior do Pix.
Apesar da disputa com o sistema instantâneo do Banco Central, o setor de cartões segue em expansão, com um crescimento médio anual de 17,8% no volume financeiro e 16,2% no número de transações nos últimos sete anos.
Gastos no exterior crescem quase 20%: Os brasileiros gastaram US$ 15,8 bilhões no exterior usando cartões em 2024, um aumento de 19,7% em relação a 2023. A Europa foi o principal destino das transações, com crescimento de 31% e um total de R$ 38,6 bilhões movimentados. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com R$ 30,7 bilhões (+23,8%), seguidos pela América Latina, que registrou R$ 10,2 bilhões em gastos (+30,9%).
Por outro lado, os estrangeiros que visitaram o Brasil gastaram US$ 5,5 bilhões com cartões, um crescimento modesto de 0,4% em relação ao ano anterior.
Pagamentos por aproximação disparam: A tecnologia de pagamento por aproximação registrou forte adesão em 2024, movimentando R$ 1,5 trilhão – um crescimento de 48,3% em relação a 2023. O número de transações chegou a 23,6 bilhões, o que equivale a 2,6 milhões de pagamentos por aproximação por hora.
O cartão foi o principal meio utilizado, representando 74% dos pagamentos dessa modalidade. O celular aparece em segundo lugar, com 33%, enquanto os smartwatches ficaram com apenas 1%.
Compras não presenciais e pagamentos recorrentes crescem: O comércio eletrônico seguiu aquecido em 2024, com as compras não presenciais movimentando R$ 979,4 bilhões (+18%). O cartão de crédito foi o meio mais usado e registrou um crescimento de 191,9% nos últimos cinco anos. O uso do débito para compras online também disparou, avançando 397% desde 2019.
Já os pagamentos recorrentes, como assinaturas e mensalidades, atingiram R$ 106 bilhões, uma alta de 38,6% na comparação anual. O cartão de crédito representou a maior parte desse montante, com R$ 100,8 bilhões (+39,9%), seguido pelo débito, que movimentou R$ 2,6 bilhões (+11,5%), e o pré-pago, também com R$ 2,6 bilhões (+22,7%).
Parcelamento sem juros domina transações no crédito: O parcelado sem juros continua sendo uma das principais modalidades de pagamento no Brasil, representando 41% do volume transacionado no cartão de crédito. No entanto, a maioria das compras ainda é feita à vista (57,4%), somando R$ 1,8 trilhão.
Entre as compras parceladas, 65% foram feitas em até seis vezes sem juros, enquanto 33,1% foram parceladas em até 12 vezes.
Os segmentos que mais expandiram a utilização de cartões em 2024 foram:
•+25% – Serviços de cuidados às pessoas
•+22,6% – Companhias aéreas
•+22% – Petshops
•+19,5% – Profissionais liberais
•+18,2% – Serviços médicos
•+17,3% – Cultura e esportes
•+16,9% – Autopeças
•+13,2% – Eletrônicos e eletrodomésticos
•+12,9% – Bares e restaurantes
Crescimento regional: O Sudeste liderou o volume de transações com cartões, somando R$ 2,2 trilhões (+11,2%). Em seguida, vieram:
•Sul: R$ 589,7 bilhões (+15,5%)
•Nordeste: R$ 496,3 bilhões (+10,7%)
•Norte: R$ 167,4 bilhões (+9,7%)
•Centro-Oeste: R$ 254,3 bilhões (+6,7%)
Cartão de crédito não é o maior responsável pelo endividamento: O setor de cartões vem tentando se desvincular da imagem de vilão do endividamento das famílias. Segundo a Abecs, o crédito rotativo representa apenas 2,1% da carteira de crédito da pessoa física, bem abaixo de outras modalidades:
•Financiamento imobiliário: 40,8%
•Crédito consignado: 23,6%
•Aquisição de veículos: 12%
•Crédito pessoal não consignado: 11,3%
Apesar disso, a inadimplência no setor ainda preocupa, atingindo 6,9% em 2024.
Monitoramento reduz fraudes no setor: A Abecs destacou que os índices de fraude em pagamentos com cartões caíram 28,6% nos últimos dois anos. Isso foi atribuído a novos mecanismos de segurança implementados pelas empresas do setor.
Projeções para 2025: A expectativa do setor para 2025 é de um novo recorde, com um crescimento estimado entre 9% e 11%, podendo atingir R$ 4,6 trilhões em transações.
O Pix por aproximação é visto como uma nova alternativa para o consumidor, mas a Abecs acredita que os cartões continuarão fortes no mercado. No entanto, há a previsão de que o débito possa perder espaço.
A inadimplência segue como um desafio, especialmente diante dos juros elevados. Apesar disso, as empresas do setor afirmam que estão aprimorando suas políticas de crédito para evitar um aumento nos calotes.

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