
A deputada federal Luizianne Lins formalizou nesta quinta-feira, 2, sua saída do Partido dos Trabalhadores após 37 anos de militância. A filiação à Rede Sustentabilidade encerra uma das trajetórias mais identificadas com o PT no Ceará.
Luizianne ingressou no partido ainda na juventude e construiu toda a sua carreira política sob a identidade petista. Foi vereadora, deputada estadual, prefeita de Fortaleza por dois mandatos e, atualmente, exerce o terceiro mandato como deputada federal. Ao longo desse percurso, consolidou-se como um dos principais quadros do partido no Estado, associada às pautas históricas da legenda e à sua formação política.
A saída ocorre após um processo prolongado de desgaste interno. Nos últimos anos, a parlamentar passou a divergir da condução política do partido no Ceará, especialmente após ser preterida na disputa interna pela candidatura à Prefeitura de Fortaleza em 2024. A partir desse episódio, as críticas se intensificaram e o distanciamento se tornou público.
Um dos pontos centrais desse desgaste foi a deterioração da relação com o ministro da Educação, Camilo Santana. Aliados e interlocutores descrevem uma convivência difícil e marcada por divergências políticas e pessoais. Nos bastidores, Luizianne costuma relatar a interlocutores como o deputado federal José Guimarães e o senador Cid Gomes que o grupo político liderado por Camilo opera de forma imperial. Segundo esses relatos, ela avalia que outras lideranças também poderão ser, no futuro, atingidas por esse modelo de condução, que classifica como concentrador de poder.
O rompimento também se refletiu na relação com o governador Elmano de Freitas, seu aliado histórico, e hoje agregado à estrutura política comandada por Camilo. A saída de Luizianne tem potencial de expor fissuras relevantes dentro do campo governista no Ceará.
Apesar da mudança partidária, Luizianne permanece no campo da esquerda. Seu nome é citado em cenários para a disputa ao Senado em 2026, mas não há definição de candidatura. A nova filiação abre espaço para reorganização política dentro da federação formada por Rede e Psol, onde sua posição ainda será discutida.






