Os detalhes da Atlasintel, parte 1: Ciro x Elmano

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Por Emaneul Freitas
Não só de números totais
se compreende uma pesquisa de intenção de votos, ainda mais quando se trata de uma temporalidade ainda longa até a eleição.

Nos números colhidos pela Atlasintel acerca da disputa pelo governo do Ceará, considerando-se apenas Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT), alguns dados merecem uma análise mais detalhada. Vamos a ela:

1- a fortaleza eleitoral de cada um:

Ciro Gomes, que apareceu com 46,2% das intenções de votos, tem os melhores resultados entre homens (59%); nos dois seguimentos  jovens, 16-24  (78%) e 25-34 (55%); pessoas com ensino médio (48%) e superior (47%); com renda entre 2 e 3 mil (67%); moradores da capital (47%); evangélicos (72%) e entre os sem religião (65%); entre eleitores de Wagner e de Roberto Claudio (72% em ambos); entre quem votou em branco ou nulo em 2022 (84%) ou que não votou (80%) e entre eleitores de Jair Bolsonaro (75%).

Além disso, em todos os itens apontados como problemáticos para o entrevistado (que vão desde a criminalidade e a saúde, passando pela corrupção e outras questões), Ciro apontado como o preferido para resolver tais problemas para mais da metade dos entrevistados em todos os itens.

Por sua vez, Elmano de Freitas, que apareceu com 42,6% das intenções, mostra-se como forte candidato entre nos seguintes segmentos: mulheres (49%); entre adultos, de 45-59 anos (54%) e a partir dos 60 anos (67%); entre quem ganha entre 5 e 10 mil (58%); eleitores do interior (60%); católicos (54%); eleitores de Camilo (61%) e de Lula (66%), em 2022.

2- os limites eleitorais de cada um:

Ciro Gomes saiu-se aquém de Elmano no seguintes seguimentos: entre as mulheres (36%); entre adultos e idosos (38 e 20%); entre os de renda entre 5 e 10 mil (32%); eleitores do interior (35%); católicos (35%); eleitores de Camilo e de Lula em 2022 (29 e 26%).

Elmano de Freitas, por sua vez, saiu-se aquém de Ciro entre: homens (34%); jovens (20%); com renda entre 2 e 3 mil (27%); moradores da RMF (21%); sem religião (26%); eleitores de Wagner e de Bolsonaro em 2022 (1 e 6%). Além disso, para resolver os problemas apontados, em todos os itens menos da metade confia no governador; perde para Ciro num eventual segundo turno (43 x 50%); empata tecnicamente com Capitão Wagner, embora com vantagem; tem aprovação com mesmo índice de desaprovação (48%); governo como “ruim e péssimo” com número superior ao “ótimo e bom” (45 e 39%); 53% apontam que o Ceará está seguindo um “mau caminho” (apenas para 43% está no “bom“); “não merece ser reeleito” para 54% dos entrevistados; é “pior que o governo anterior” para 51,2%; tem rejeição de 53%.

Abril chegou agora; as águas de março nem bem passaram. Até dia 04, sábado santo, muito coisa por decidir.

Emanuel Freitas da Silva é articulista do Focus Poder, professor adjunto de Teoria Política da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

 

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