Selo do TSE divide institutos; AtlasIntel apoia iniciativa e acende debate sobre precisão das pesquisas

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O que aconteceu: O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, apresentou aos principais institutos de pesquisa do País uma proposta para criação de um Selo de Acurácia Eleitoral, certificação destinada às empresas cujos levantamentos apresentarem maior aderência aos resultados oficiais das urnas. A iniciativa provocou reações opostas entre as empresas que fazem psquisas no Brasil e abriu um novo debate sobre a natureza das pesquisas eleitorais.

Dois conceitos em disputa
No centro da discussão estão duas interpretações distintas sobre o papel das pesquisas. De um lado, o TSE sustenta que reconhecer publicamente os institutos com melhor desempenho estimularia investimentos em metodologia, transparência e qualidade técnica, criando parâmetros objetivos para que a sociedade possa avaliar a confiabilidade das empresas.

Do outro, parte dos institutos argumenta que pesquisas eleitorais não têm como finalidade prever o resultado da eleição, mas retratar o comportamento do eleitor no momento em que os dados são coletados. Nessa visão, transformar pesquisas em instrumentos de previsão significaria atribuir-lhes uma função que elas nunca tiveram.

Atlasintel apoia a proposta
Entre as manifestações públicas, uma chamou atenção. O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou, em publicação na rede X, que a empresa apoia a iniciativa do presidente do TSE.

“A AtlasIntel apoia a iniciativa do ministro Nunes Marques para a criação do selo de qualidade de pesquisas a partir de critérios objetivos de precisão. Estamos à disposição para contribuir na discussão metodológica, a partir de iniciativas semelhantes em nível internacional.”

A manifestação diferencia a AtlasIntel de parte expressiva do setor, que reagiu de forma crítica à proposta.

Datafolha lidera resistência
A posição mais contundente foi apresentada pela diretora do Datafolha, Luciana Chong, que classificou a proposta como “inaceitável” e afirmou que confundir pesquisa com previsão representa um equívoco estatístico.

Na mesma direção caminharam a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), o cientista político Antonio Lavareda e o professor Bruno Bolognesi, que defenderam que levantamentos eleitorais registram intenções de voto existentes no momento da coleta e não possuem obrigação científica de reproduzir exatamente o resultado das urnas.

O que ocorre em outros países
Embora a proposta seja inédita no Brasil, mecanismos de avaliação da qualidade dos institutos estão longe de representar novidade em democracias consolidadas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, organizações independentes elaboram rankings permanentes que classificam os institutos conforme seu histórico de desempenho, permitindo que pesquisadores, imprensa e eleitores acompanhem quais empresas apresentam, ao longo do tempo, maior precisão metodológica.

Essas classificações não são produzidas pelo governo nem pela Justiça Eleitoral, mas se tornaram uma referência importante para avaliar a consistência dos levantamentos eleitorais.

Atlas aparece entre os destaques internacionais
É justamente nesse tipo de comparação internacional que a AtlasIntel costuma ocupar posições de destaque.

A empresa acumula uma sequência de desempenhos de elevada precisão em eleições realizadas em diversos países e contabiliza mais de uma centena de resultados classificados entre os mais próximos das urnas desde 2019, desempenho construído em disputas no Brasil, Estados Unidos, Argentina, Colômbia, Romênia, Hungria e África do Sul.

Nas eleições americanas de 2024, por exemplo, a AtlasIntel destacou-se por antecipar a vantagem de Donald Trump quando boa parte dos levantamentos ainda apontava um cenário distinto, repetindo desempenho semelhante ao registrado em 2020.

A parceria com o Focus Poder
No Ceará, a AtlasIntel mantém parceria com o Focus Poder desde 2022 e voltou a ser escolhida para realizar, com exclusividade, as pesquisas eleitorais divulgadas pelo veículo durante a campanha de 2026.

A metodologia empregada pela empresa utiliza recrutamento digital aleatório, tecnologia própria baseada em grandes bases de dados e modelos estatísticos de pós-estratificação.

O debate continua
A minuta apresentada por Kassio Nunes Marques ainda não é definitiva. O presidente do TSE abriu prazo para que os institutos apresentem sugestões antes da eventual regulamentação da proposta.

Independentemente do formato que venha a ser adotado, o episódio evidencia uma discussão que tende a permanecer presente nas próximas eleições: como ampliar a confiança pública nas pesquisas eleitorais sem desvirtuar sua natureza científica e, ao mesmo tempo, oferecer instrumentos que permitam distinguir metodologias mais consistentes daquelas que apresentam desempenho inferior ao longo do tempo.

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