Rumo ao desconhecido; Por Angela Barros Leal

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Acordo no meio da noite interessada em saber o que são as ilhas Diomedes, a respeito das quais ouvi alguém falar no dia anterior, despertando uma curiosidade capaz de vencer o sono. Por essas duas ilhas é que a Ásia pode ter alcançado as Américas, o Estreito de Bering sendo utilizado como a ponte congelada entre continentes. Atualmente, o trecho de mar que separa Diomedes Maior, pertencente à Rússia, e Diomedes Menor, integrante dos Estados Unidos, é cortado pela invisível Linha Internacional de Data, como informa a IA.

Esse artifício temporal, fruto de convenções mútuas entre países, resulta em uma estranha diferença de horário: os curtos 4 quilômetros que as dividem, normalmente capazes de serem vencidos em menos de meia hora, se distanciam em 21 horas. É assim que os 80 habitantes da ilha de Diomedes Menor, todos eles nativos, olham para o futuro na ilha vizinha, da qual a população civil fixa foi forçosamente erradicada, sendo substituída por equipamentos que garantem severa vigilância de fronteiras.

Mais uma vez são informações que reviro nas mãos, como um cubo mágico, sem saber o que fazer com elas. Assim como se deu na noite de ontem, quando tomei conhecimento da existência de uma cidade subterrânea no centro geográfico da Austrália, estabelecida no início do século XX, possibilitando a vida humana sob um nível insuportável e constante de calor.

Casas, igrejas, hotéis e lojas foram construídos no subsolo de Coober Pedy, escavado de 3 a 5 metros na rocha sedimentar, ou mais profundo do que isso. É lá que passam os dias os 1.500 dispostos moradores, ou os corajosos turistas que para lá se aventuram, usufruindo de um criativo sistema subterrâneo de captação de luz e de ventilação.

Muito antigamente, quando a Terra era imóvel e o tempo se media pela passagem dos cometas, peregrinos costumavam cruzar mares e desertos em busca de ouvir aqueles seres ungidos pelo dom de enxergar os acontecimentos. Perguntavam sobre os segredos do futuro, é verdade, mas nem por isso deixavam de questionar sobre o presente e o passado, essa terra indelével que permanece grudada na sola dos nossos pés, essa sombra que assombra e conduz nossos passos.

O que se sabia sobre o mundo vasto mundo era tão pouco. O que se aprendia vinha embrulhado nos fios do medo, no enredo confuso dos sonhos, na voz desincorporada dos viajantes, dos adivinhos, dos profetas, dos oráculos. O universo era limitado ao alcance das velas enfunadas, à marcha lenta das caravanas, aos pés sobre pedras ou sobre areia.

Ainda hoje as perguntas sobre o que existe ainda são muitas, como bem sei, porém as respostas estão em mais fácil acesso, o que em nada facilita a nossa lida com elas. Continuo sem saber o que fazer com o que encontrei na breve pesquisa sobre as duas ilhas vizinhas, divididas entre dois países, ou sobre a cidade onde vivem pessoas sepultadas.

Quanto às previsões referentes ao futuro, essa porta lacrada com sete selos, esse véu de veludo que esconde um jardim florido ou um precipício fatal, que se abre à medida que caminhamos até ele de olhos fechados, nisso continuamos tal e qual os antepassados peregrinos: guiados para o desconhecido, quase sempre por forças alheias à nossa vontade.

Angela Barros Leal é jornalista, escritora e colaboradora do Focus Poder desde 2021. Sócia efetiva do Instituto do Ceará.

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