Do ponto de vista político, todos sabemos muito bem que os governos de Lula e de Elmano de Freitas são umbilicalmente ligados. Acima de tudo, pertencem ao mesmo partido, o PT. Em ano eleitoral, a integração ampliada entre os dois governantes e suas respectivas esferas de poder, é absolutmente natural. Lula e a máquina do Governo Federal são, para o governador, os mais potentes cabos eleitorais.
Diante de tudo, vem à tona uma questão: O que leva o deputado federal Mauro Benevides Filho a aceitar a função de vice-líder do Governo Lula na Câmara dos Deputados logo após romper com Elmano no Ceará, declarar apoio a Ciro e usar politicamente sua autoridade de respeitado economista para fazer duras críticas à gestão das finanças estaduais?
É um movimento que impõe atenção e, sim, gera estranheza. Como vice-líder para, digamos, assuntos econômicos (sempre a pauta mais importante), Mauro vai ficar em constante diálogo com ninguém mais que José Nobre Guimarães, o ministro das Relações Insitucionais de Lula e político diretamente interessado na disputa do Ceará.
Por óbvio, o movimento de Mauro não ajuda a Ciro Gomes. Pelo contrário. No fundo, passa a ideia de que seu papel em ajudar Lula na articulação e defesa de pautas econômicas e, evidentemente, com seus votos em comissões e plenário, o torna um aliado mais que indireto de Elmano de Freitas. Na prática, ao trabalhar para Lula, Mauro trabalha para Elmano. O argumento de que suas funções como vice-líder têm natureza técnica não se sustenta.
É preciso um Duplo Twist Carpado (o salto eternizado pela gisnasta Daine dos Santos) para dissociar uma função de vice-líder do governo de seu conteúdo político. Embora Mauro sustente que o cargo tem natureza técnica e esteja ligado apenas à pauta econômica, no Congresso essas funções também representam confiança e articulação do Palácio do Planalto.
Nada que Mauro, Ciro, Elmano, Lula e toda a crônica política não saiba.






