A aposta do Ibmec no capital humano cearense

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A chegada do Ibmec a Fortaleza representa muito mais do que a abertura de um novo campus universitário. É uma decisão empresarial que revela como o Ceará passou a ser observado por importantes agentes privados do país.

O ponto mais relevante da escolha está justamente em um movimento raro: não houve incentivos públicos, programas especiais ou articulação governamental para atrair essa importante instituição de ensino. O movimento nasceu puramente de uma análise de mercado.

Antes de definir o destino de sua primeira unidade fora do eixo Sudeste-Brasilia, o Ibmec estudou renda, perfil dos estudantes, qualidade da educação básica, disponibilidade de professores e potencial econômico. O resultado colocou o Ceará bem à frente dos demais estados da região.

Em entrevista ao Valor Econômico, o reitor-executivo do Ibmec, Reginaldo Nogueira toca em um ponto revelador. Ele argumenta que o Ceará reúne excelentes escolas, estudantes aprovados nos vestibulares mais competitivos do país, professores qualificados e a Capital com o maior PIB do Nordeste. Em outras palavras, o Estado apresenta os elementos que sustentam uma operação voltada ao segmento premium da educação.

O próprio modelo de negócios ajuda a entender a aposta. Desde que foi adquirido pela Yduqs, em 2019, o Ibmec recebeu cerca de R$ 50 milhões em investimentos e se transformou em uma das operações mais rentáveis do grupo. Com receita próxima de R$ 400 milhões e margem operacional superior a 45%, a instituição tornou-se uma referência nacional no ensino de negócios, direito e economia.

Em Fortaleza, o campus receberá investimento de R$ 10 milhões e oferecerá cursos de Administração, Economia, Direito e Relações Internacionais. As mensalidades devem girar em torno de R$ 4 mil, valor semelhante ao praticado em Brasília e Belo Horizonte, abaixo dos cerca de R$ 7 mil cobrados em São Paulo.

A estratégia também contempla uma integração entre os campi. Alunos cearenses poderão cursar parte da graduação em Fortaleza e parte em São Paulo, além de participar de programas de internacionalização, intercâmbios e estágios vinculados à rede nacional da instituição.

A operação não mira apenas o mercado cearense. A escola de Fortaleza tende a atrair estudantes do norte e nordeste, considerando que os custos no Ceará são bem menores para as famílias quando comparados a São Paulo, por exemplo.

O comentário do professor Paulo Elpídio de Menezes Neto ajuda a dimensionar o significado da chegada do Ibmec. Ex-reitor da UFC e ex-executivo do Ministério da Educação, ele lembra que a instituição foi pioneira ao modernizar o ensino jurídico brasileiro, incorporando economia empresarial, contabilidade e temas ligados ao ambiente corporativo. Segundo ele, o modelo curricular desenvolvido pelo Ibmec tornou-se uma referência internacional.

O episódio deixa uma mensagem importante. Durante décadas, o Ceará buscou atrair investimentos demonstrando vantagens fiscais e outros arranjos oriundos do setor público. Agora, em alguns setores, o Estado começa a ser escolhido por razões mais estruturais: talento, educação, mercado consumidor e capacidade econômica.

Ou seja, o Ibmec não veio ao Ceará para descobrir potencial. Veio porque concluiu que ele já existe.

 

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