
Antes da chegada da PACE, em Horizonte, o Ceará parecia ter encerrado seu ciclo na indústria automotiva. A saída da Ford, em 2021, e o fim da produção do Troller deixaram a impressão de que o Estado havia perdido espaço em um setor cada vez mais concentrado no Sul e Sudeste. Em pouco mais de dois anos, porém, o cenário mudou de forma acelerada.
A estratégia da General Motors, em parceria com a chinesa SGMW (SAIC-GM-Wuling), transformou o Ceará em uma plataforma de montagem para a nova geração de veículos eletrificados. Depois do Spark EUV e da Captiva EV, a montadora confirmou um terceiro modelo na unidade de Horizonte e, segundo a imprensa especializada, trabalha para incorporar um quarto veículo, o hatch elétrico derivado do Wuling Bingo Pro, previsto para 2027.
A mudança vai além da ampliação do portfólio. Ela sinaliza que o Ceará deixou de disputar apenas fábricas para integrar uma cadeia global de produção. A operação combina engenharia brasileira, tecnologia chinesa e uma arquitetura industrial flexível, capaz de montar diferentes marcas na mesma planta.
O Focus Poder já havia mostrado essa transformação ao revelar que o Ceará passou a ocupar um dos elos da cadeia automotiva mundial, conectando fornecedores asiáticos, logística portuária pelo Complexo do Pecém e montagem final de veículos destinados ao mercado brasileiro e latino-americano. A produção local deixou de ser apenas uma atividade industrial para se tornar parte de uma estratégia global de eletrificação.
O simbolismo é evidente. Há pouco tempo, o debate era sobre a despedida do Troller. Hoje, discute-se qual será o quarto modelo da Chevrolet produzido no Ceará. Em um setor em que cadeias produtivas se reorganizam rapidamente, poucos estados conseguiram mudar de posição em tão pouco tempo. Horizonte tornou-se um dos principais exemplos dessa nova geografia da indústria automotiva brasileira.







