Direita ou esquerda: “Vou ver”; Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Ficou a impressão que Bolsonaro seria a liderança natural de uma “direita”
em gestação como contraposição a uma “esquerda”, assentada nos poderes da República.

Esta suposição tem o travo da preferência saída de uma eleição que afastou Bolsonaro de um segundo mandato presidencial e que, agora, decisões judiciais ad hoc o impedem
de candidatar-se em 2026.

A esquerda, tanto quanto essa direita indefinida e indefinível, são o centro de aguerridas federações, pouco confiáveis, de partidos e tendências ideológicas.

A esquerda auto-nomeou-se “progressista”, ainda que se reconhecesse fruto de uma democracia “relativa”. Serviu-se desses desvios como estratégia para descolar-se do rótulo incômodo, ainda que útil, de “socialista” ou, in extremis, de “comunista”.

Dominada pelo ódio visceral que anima parte da militância do ativismo orgânico que vive à sombra do líder do Estado, os ativistas, sobreviventes-marxistas recorrem a um expediente de marquetagem eficaz: a classificação demonizadora dos seus oponentes, suspeitos de integrarem uma ”direita-radical” — de “fascistas”, lesa-pátria.

A liderança das esquerdas, entregue a Lula, desde 1988, está para alcançar o final de um longo ciclo de dominação no PT e de seus apêndices estrategicamente adicionados à sopa de letrinhas do nosso multipartidarismo de ocasião.

Do que toca a Bolsonaro, a análise critica do papel que ocupa nesta federação de interesses a que se convencionou chamar “Centrão”, não é clara e, ao que se vê, perde peso e precedência, a cada dia, em meio a uma convergência de cartolas partidários cujas tendências políticas e os interesses particulares que os movem, pouco ou nada têm em comum.

Nesta “caixa de Pandora”, vazia de projetos e de programas, restam apenas os cargos no governo e os benefícios decorrentes dos níveis de empreendimento do Estado. Esta constatação vale para os “comunistas” e para os ”fascistas”, em uma guerra campal ao derredor do caixa das lides republicanas.

Em pouco, a velocidade do processo de corrosão que oxidará as candidaturas de Lula e Bolsonaro abrirá espaço para a festa de anunciação de novas e indistintas liderancas partidarias — à esquerda, à direita e ao centro.

Criamos um retrato falso do ordenamento ideológico.

Esquerda e direita surgiram, no Brasil, das confrontações grupais de oligarquias poderosas. Demos-lhes as cores heroicas de uma luta de classes. Quase repetimos, aqui, em 1935, o que os bolcheviques e os mencheviques realizaram nos quintais dos “románov”, empenhados na construção de uma “ditadura do proletariado”.

Foi necessário, entretanto, que os “democratas” de direita buscassem a salvação da Pátria em “defesa da família e da fé”, nos idos de 1964, para que a esquerda pressentida ganhasse a força e a expressão que manifestam agora, em um quadro no qual ela aparece com as promessas ambiciosas da esperança.

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

No ataque ao PT, Girão abre frente contra a “direita fisiológica”

Inédito: Flávio vence Lula no 2º turno, aponta AtlasIntel

Lula lidera, mas sob desgaste e o centro deve definir 2026

A van está virando ônibus? União Progressista pende ao governismo e redesenha 2026 no Ceará

Enfim, intituições funcionam e põem fim ao “passaporte do barulho” em Fortaleza

Horas antes da prisão, Vorcaro enviou mensagem a Moraes, que respondeu no modo visualização única

Vorcaro teve prisão decretada em 2020, mas instituições falharam e a porta se abriu para os crimes em série

Apostas bilionárias e suspeitas antecipam ataque dos EUA ao Irã

Café da Serra de Baturité recebe selo nacional de Indicação de Procedência

Freio de arrumação no governismo do Ceará: ambições e a difícil engenharia da chapa de 2026

MP dos datacenters caduca e ameaça planos no Ceará, incluindo planos do projeto de R$ 200 bi no Pecém

Camilo, a missão, o ruído e o desconforto de Elmano

MAIS LIDAS DO DIA

STF limita penduricalhos e fixa teto para adicionais no Judiciário e MP

Entregador de delivery. Foto: Divulgação/Abrasel

Governo propõe aumentar valor mínimo por entrega e mudar regras para apps

Correios adotam escala 12×36 em meio a reestruturação e geram reação de trabalhadores

Americanas pede fim da recuperação judicial após avanço em venda de ativos

Desaprovação de Lula: onde estão as dores? Por Ricardo Alcântara

CNJ: TJCE entra no radar nacional liderando processos contra crime organizado

Masterboi muda o jogo do agro no Ceará com frigorífico de R$ 250 milhões em Iguatu

The Economist diz que Brasil é o mais preparado para crise do petróleo; Um cearense construiu essa vantagem

Lula reativa Camilo como opção eleitoral no Ceará: “Se precisar”