Dólar encerra maio em queda de 3,85% de olho em China e Fed

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Foto: Freepik.

Equipe Focus
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O dólar à vista encerrou a sessão desta terça-feira, 31, praticamente estável, no patamar de R$ 4,75, muito influenciado por questões técnicas do mercado doméstico de câmbio. O dia foi marcado pela disputa em torno da formação da última taxa Ptax de maio – referência para liquidação de contratos futuros e fechamento de balanços corporativos – e pela típica rolagem de posições de fim de mês.

Segundo profissionais do mercado, o anúncio de novos estímulos econômicos na China, que começa a relaxar restrições de combate à covid-19, e os dados domésticos positivos, como o resultado fiscal do setor público em abril (superávit primário de R$ 38,876 bilhões), teriam dado certo fôlego ao real, que conseguiu em parte se descolar do sinal predominante de alta da moeda americana no exterior.

Tirando uma escalada na primeira hora de negócios, quando correu até a máxima de R$ 4,7780, o dólar trabalhou a maior parte do dia entre estabilidade e leve baixa. Na mínima, pela manhã, chegou a romper o piso de R$ 4,70, ao marcar R$ 4,6985. No fim do pregão, era cotado a R$ 4,7526, variação de -0,02%. Mesmo com leve alta de 0,30% nesta semana, a moeda termina maio com queda de 3,85% – o que leva a desvalorização acumulada no ano a 14,77%

O índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes – se recuperou do tombo de segunda-feira e operou em alta, mas não conseguiu se firmar acima dos 102,000 pontos. Quando o mercado local fechou, era negociado a 101,773 pontos, avanço de 0,45%. O dólar também ganhou força em relação à maioria das divisas emergentes e de exportadores de commodities, embora tenha recuado frente a pares do real como peso chileno e colombiano.

Para o economista Piter Carvalho, da Valor Investimentos, os investidores estrangeiros estão retornando ao Brasil, tanto para capturar os juros altos da renda fixa quanto para investir em ações de empresas de commodities, de olho na reabertura da China “Hoje é um dia especial pela formação da Ptax. Mas está entrando dólar no mercado e isso tem impactado bastante a moeda”, afirma.

Dados da B3 mostram que os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 602,915 milhões na bolsa doméstica na sessão de sexta-feira, 27. Com a entrada de capital externo na B3 nos últimos dias, o saldo negativo acumulado no mês, que chegou a superar R$ 12 bilhões, agora está na casa de R$ 9 bilhões. Como não há dados atualizados do fluxo cambial, em razão da greve dos servidores do Banco Central, não é possível saber se houve aporte líquido de recursos no País em maio.

Analistas atribuem o tombo do dólar neste mês à redução dos temores de desaceleração forte da economia da China, o que ensejou recuperação de preços de commodities, e à perda de força do índice DXY, sobretudo com a recuperação do euro. Sinais do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) de que vai manter o ritmo de alta da taxa básica em 50 pontos-base nas próximas reuniões fizeram investidores apararem apostas em um dólar globalmente cada vez mais forte.

“A expectativa de alta das commodities com a reabertura da China favoreceu todas as moedas emergentes e fez o dólar se desvalorizar pouco mais de 3% frente ao real”, afirma a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest, que também observa uma aparente melhora da conjuntura doméstica como fator impulsionador da moeda brasileira. “Temos a expectativa de privatização da Eletrobras e a questão do teto do ICMS. A taxa de juros está elevada e o BC vai continuar subindo a Selic. Isso ajudou na entrada de fluxo neste mês.”

Nesta terça à tarde, em audiência pública na Câmara dos Deputados, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou que o real tem tido o melhor desempenho ante o dólar entre todas as moedas dos países do G20 em 2022, em parte em razão da “mensagem do BC de combate à inflação”. Na segunda-feira, o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra, afirmou que a apreciação do real estaria contribuindo para suavizar o choque de preços de commodities e que a queda recente do dólar ainda se faria sentir com mais força nas leituras de inflação.

“O dólar corrigiu bastante neste mês. Houve fluxo forte para a Bolsa e ainda há oportunidades”, afirma head de câmbio da HCI Invest, Anilson Moretti, que não acredita, contudo, que o dólar possa romper o piso de R$ 4,60. “A inflação global ainda preocupa bastante o mercado e temos reunião do Fed em junho (dias 14 e 15). O dólar pode subir até a resistência de R$ 4,95”

Agência Estado

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