Eleições 2018 e sua corrida maluca

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Frederico Cortez é advogado, sócio do escritório Cortez&Gonçalves Advogados Associados. Articulista do Focus.jor, escreve quinzenalmente

Por Frederico Cortez
Primeiro turno já se foi. Sem sombra de dúvidas esta eleição entrou definitivamente para a história brasileira, pelos seus acontecimentos previstos, imprevistos e inimagináveis. Um pleito tomado por nuances jamais antes experimentadas, tais como: menor tempo de campanha eleitoral, financiamento público, influência das redes sociais, enxurrada de ações eleitorais e um atentado contra a vida de um presidenciável. Este altamente reprovável.
Quanto ao gargalo dos processos eleitorais, poderia ter sido evitado? Muito pouco provável, penso. Já tinha frisado bem antes do início da campanha eleitoral, em artigos e entrevistas, que esta eleição servirá de laboratório para os futuros pleitos. A internet consegue ser muito mais ágil e veloz do que a justiça eleitoral brasileira. O conjunto dessas três letrinhas “www”, engatada em sua quinta marcha, não tomou conhecimento da nossa burocracia processual legislativa e a atropelou.
Fato. Focus publicou matéria onde o Vice-Procurador-Geral Eleitoral, Humberto Jacques, num único dia (domingo-23/09) teve que manifestar-se em 135 processos com prazo de 24 horas.
Ou seja, humanamente impossível para um só operador da Justiça Eleitoral realizar tal tarefa hercúlea. Não distante, vislumbrei vários pedidos de procuradores federais para a concessão de um prazo maior, quanto da entrega de seus pareceres. Outros tantos processos, também com prazos decorridos e sem a manifestação devida. Deixo claro aqui, não por culpa dos aguerridos membros do MPF e sim pela omissão previsível de um sistema lento que não teve a capacidade de se ajustar ao tempo certo, conforme as forças que o mundo da tecnologia impõe.
Os tempos mudaram, e via reflexa, daqui para frente as campanhas eleitorais não serão mais como antes. Essa fórmula cansada e vencida já demonstrou que dinheiro e tempo extra na televisão não significa apoio significativo de eleitores. As redes sociais engoliram o jurássico formato dos experts em marketing eleitoral, até então praticado.
O candidato presidenciável que ora desponta nas pesquisas eleitorais para o segundo turno, não tem uma renomada e caríssima agência de publicidade contratada, não tem comitê central e nem estaduais e o seu tempo de televisão foi diminuto e apequenado na frente dos demais, em sede de primeiro turno. Seguindo a linha, o presidenciável emedebista Henrique Meireles colocou do seu próprio R$ 54 milhões e mesmo assim teve um desempenho eleitoral aquém do inigualável cabo Daciolo, do Patriota, cuja receita foi R$ 9.930,26 reais em toda sua jornada. Diga-se de passagem, que todo esse valor foi fruto de arrecadação coletiva.
Dentro de nossas cercanias, temos outro exemplo. O deputado estadual eleito André Fernandes-PSL foi o mais votado do Ceará, tendo arrecadado R$ 7.500,00 em toda sua campanha eleitoral. Sem apoio de cacique político local e quase nenhuma estrutura logística, abocanhou ao fim quase 110 mil votos. Detalhe, ele tem 21 anos de idade, youtuber, e soube explorar sua plataforma de seguidores nas redes sociais. Ou seja, tem algo de errado nas pranchetas dos profissionais da política brasileira. Repito, as regras do jogo mudaram.
As eleições de 2020 virão com outras regulamentações. É uma aposta pessoal. A conduta de muitos candidatos e eleitores neste ano em fazer transmissões ao vivo nas redes socias sofrerá uma interferência da Justiça Eleitoral, penas mais severas para fake News também acontecerá, bem como o processo legislativo eleitoral deverá ser amoldado diante dessa nova demanda. Assim, uma grande batalha será travada entre governo, usuários e companhias do mundo virtual, no que pese ao exercício de um maior controle e efetividade do órgão jurisdicional responsável em comandar as eleições no país. Voto pela liberdade e não pelo aprisionamento.
Essa maciça participação das redes sociais no processo eleitoral do ano em curso, tem o seu lado positivo e negativo. Destaco a superação do segundo pelo primeiro. Inobstante às publicações de fake news, inconteste e inelutável é o maior engajamento do eleitor jovem e o resgate dos eleitores que até então não demonstravam mais interesse em eleições políticas, por razões frustrantes de tempos remotos. Conceito de democracia.
A rede social é tão democrática, que não tem idade, não tem sexo, não tem religião e não tem cor. Todos participam, uns gostando e outros não. O espaço é garantido, desde que reservado os devidos excessos cometidos e resguardados pela lei. Creio, que esse seja o maior legado das redes sociais nestas eleições, pois provoca o debate, estimula a busca pela verdade no que é publicado. Assim, tomemos e apliquemos esse exemplo em nosso dia a dia, exercitando a tolerância, o respeito ao pensamento diverso sem a obrigatoriedade de sua imposição e a convivência pacífica entre todos os brasileiros. Boas eleições!
 

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