Estudo propõe corte de 80% nas emissões do setor energético sem ampliar exploração do petróleo

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Energia eólica. Foto: Freepik

O fato: Um estudo divulgado pela rede Observatório do Clima (OC) nesta terça-feira (22) propôs um caminho para o setor energético brasileiro reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 80% até 2050. O documento sugere uma série de medidas para alcançar essa meta, enquanto mantém o crescimento econômico e promove a transição para um cenário de baixo carbono. Entre as principais diretrizes estão a eliminação de subsídios aos combustíveis fósseis e a transformação da Petrobras em uma empresa focada em energias renováveis.

Contexto: Atualmente, o setor energético brasileiro responde por 17,8% das emissões de gases de efeito estufa do país. Com base nas projeções do estudo, sem mudanças significativas, as emissões do setor podem chegar a 558 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) em 2050. No entanto, se as diretrizes propostas forem seguidas, as emissões cairiam para 102 milhões de toneladas. Além de reduzir as emissões, as medidas poderiam transformar o Brasil na primeira grande economia do mundo a sequestrar mais gases de efeito estufa do que emite até 2045, segundo Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do OC.

Entre as principais recomendações do estudo estão:

•Energias renováveis: Aumentar o uso de fontes como solar e eólica, associadas a novas tecnologias de armazenamento, e o desenvolvimento da indústria de hidrogênio verde.

•Transporte público: Priorizar o transporte coletivo eletrificado sobre o individual motorizado nas áreas urbanas.

•Petrobras: Reduzir gradualmente a produção de petróleo pela Petrobras e redirecionar os subsídios governamentais para a transição energética.

•Biocombustíveis: Incentivar o uso de biocombustíveis no transporte, substituindo a gasolina por etanol, especialmente nos veículos flex.

Impactos e desafios: O relatório também alerta para os impactos socioambientais que podem surgir com a transição para fontes renováveis, como desmatamento e conflitos agrários, principalmente em terras de populações tradicionais. O estudo defende uma transição energética justa, com participação ativa das comunidades afetadas e uma regulação rigorosa para evitar abusos.

Outro desafio significativo está no transporte de cargas, que depende fortemente de rodovias e enfrenta dificuldades na eletrificação, devido aos altos custos das baterias para caminhões pesados. Apesar disso, o transporte de passageiros apresenta maior potencial para uma redução rápida das emissões, com metas de eletrificação da frota e uso de biocombustíveis.

 

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