
O contexto da polêmica em Porto de Galinhas (PE)
A recente polêmica envolvendo as barras de praia de Porto de Galinhas reacendeu o debate nacional sobre abusos nas relações de consumo em áreas turísticas. Denúncias de consumação mínima disfarçada, cobrança indevida por mesas, cadeiras e serviços não solicitados colocaram em evidência a fragilidade do consumidor diante de estabelecimentos que exploram a alta demanda turística. O caso ganhou repercussão justamente por expor práticas que violam frontalmente o Código de Defesa do Consumidor e que, embora recorrentes em destinos turísticos, muitas vezes permanecem sem fiscalização efetiva.
O cenário de Fortaleza: regra existe desde 2020
Diferentemente do que se observa em outros polos turísticos, Fortaleza já enfrenta essa discussão de forma normativa há alguns anos. Desde 2020, o município conta com regras claras que estabelecem direitos e deveres tanto para consumidores quanto para os donos de barracas de praia, especialmente na Praia do Futuro. O foco é garantir transparência, equilíbrio contratual e coibir práticas abusivas que transformem o lazer em fonte de conflito jurídico.
O descumprimento pode gerar multas e outras penalidades previstas em lei. A proposta inicial, contudo, é pedagógica: prevenir abusos antes da repressão.
Direitos do consumidor nas barracas de praia
A atuação do Procon reforça um conjunto de regras já consolidadas no ordenamento consumerista e aplicáveis às barracas de praia, entre elas:
– proibição de consumação mínima;
– possibilidade de preços diferenciados conforme a forma de pagamento;
– dever de informar claramente o valor do couvert artístico;
– caráter facultativo da gorjeta de 10%;
– vedação à cobrança por perda de comanda ou ticket;
– liberdade do consumidor para adquirir produtos de ambulantes;
– obrigação de fornecer troco em dinheiro;
– transparência nos cardápios quanto a preços, peso e quantidade;
– prevalência do menor preço em caso de divergência;
– cobrança de cadeira de sol apenas se informada previamente e como serviço apartado.
Por que isso importa
O contraste entre a crise vivida em Porto de Galinhas e a atuação preventiva de Fortaleza mostra que o problema não é a atividade econômica em si, mas a ausência de regras claras e fiscalização contínua. Onde há orientação, previsibilidade e enforcement, reduz-se o conflito, protege-se o consumidor e fortalece-se o próprio setor turístico.
Em síntese
Barracas de praia não estão fora da lei. A experiência de Fortaleza demonstra que é possível conciliar turismo, livre iniciativa e respeito ao consumidor. A polêmica de Porto de Galinhas serve de alerta: sem regras claras e fiscalização, o prejuízo não é apenas jurídico, mas também reputacional para o destino turístico.






