Homenagem a Jacques Lacan, nascido em 13 de abril. Por Augustino Chaves

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Na foto, Augustino Chaves em frente ao consultório de Lacan. 5, rue de Lilly, Paris.

Jacques Lacan nasceu em 13 de abril de 1901, Paris.

De médico interno, vivendo em quarto de hospital, migrou à psicanálise. Seguidor e continuador da obra de Freud, o que mais nos fere nesse homem é sua vitalidade, parece que era ligado diretamente com o Sol. Inefável.

Essa vitalidade lhe tornou erudito: dominava uma variedade de assuntos ao ponto extremo de estudar a língua chinesa. Essa vitalidade impulsionou-o a conhecer as cidades icônicas do mundo: respirava sempre outros ares. Essa vitalidade buscava quem ele queria captar o espírito: por exemplo, a amizade com Dali e Picasso (de quem foi médico).

Seu ofício de psicanalista salvou e melhorou vidas. “O dia em que Lacan me adotou” é o livro de Gerard Haddad que narra, em prosa poética, a arte de Lacan lhe tirando do percurso ao suicídio.

A psicanálise não apenas como terapia mas como um discurso sobre o mundo. Essa foi sua luta, a não redução do precioso legado de Freud. Viena e Paris, seminais.

Famoso em Paris, Lacan aceitou o convite a palestras em NY, em 1975, onde encontrou no saguão do hotel, coincidentemente, seu velho chapa, o excêntrico Dali, a quem há décadas não via. Saíram os dois, folgando pelas ruas da cosmopolita cidade. Os passantes reverenciavam Salvador Dali (cujas fotos estavam naqueles dias estampadas na cidade), que, com as antenas em outra direção, não percebia os acenos. Lacan, certo dele mesmo, certo de que estava sendo saudado, recíproco, respondia a todos. Hoje qualquer um dos dois seria objeto de assédio perturbador.

Relendo esses dias a biografia de Lacan, escrita por Elisabeth Roudinesco, de onde emerge um personagem forte diante da vida, de inabalável crença de que superaria qualquer problema, de vontade de viver intensamente a vida, de tantos livros publicados, de tantas palestras proferidas, de inúmeros pacientes, pai de quatro filhos, amante apaixonado das mulheres, nos vem uma singular admiração e uma certeza de que, se a humanidade chegou a produzir pessoas dessa altura, bem que poderíamos estar melhor.

“Nunca compare seu interior com o exterior dos outros”, ele, um frade franciscano, em suas vestes e em sua fala mansa, advertiu-me na minha silenciosa adolescência.

Não esqueci o conselho, que serve também de ampla defesa à auto-estima. Nada de comparações. Cada um viva sua vida. Em outras palavras: “eu sou eu e minha circunstância”, disse aquele vetusto espanhol esperto. Mas é bom, senão a comparação com Lacan, a existência de uma referência estrelar. Salve 13 de abril!

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