José Aírton: o ex-radical marxista que recebeu “revelação milagrosa”

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A entrevista ao Focus Colloquium foi gravada no estúdio 3 da Casa de Vovó Dedé.

Em uma entrevista de valor histórico, o deputado federal José Aírton Cirilo, que por um tiquinho de votos não foi eleito governador do Ceará em 2002, faz diversas revelações no Focus Colloquium, apresentado pelo jornalista Fábio Campos, editor do Focus.jor.

Na conversa, Cirilo conta o que não deveria ter feito ao longo de sua trajetória, que remonta à década de 1980, em Icapuí, durante a gestão que virou um sóbolo nacional do PT. “Eu era radical. Isso me atrapalhou”.

Declarando-se um ex-marxista que hoje é “altamente religioso”, o petista faz autocríticas, afirma que sua mudança se deu por “uma revelação milagrosa” (saiba qual assistindo a entrevista” e faz autocríticas a ponto de dizer que não estava peparado para ser governador em 2002.

José Aírton não foge às questões apresentadas, se recusa a “tapar o sol com a peneira” e diz o que pensa sobre personagens centrais de nossa política, como José Guimarães, Ciro Gomes, Tasso Jereissati, Lúcio Alcântara, Cid Gomes e Luizianne Lins.

Veja algumas frases de José Aírton no Focus Colloquium:

“Eu era muito radical” (quando prefeito de Icapuí a partir de 1985)

“Houve uma tremenda fraude na eleição de 2002… houve urna que no 1º turno tirei cem votos e só tive 10 no 2º. Não tem sentido”

“Depois não houve interesse do PT nacional em brigar na Justiça pela minha eleição. Houve um acordo do Guimarães com o Lúcio Alcântara”

“Sinceramente, não acho que estivesse preparado naquele momento para assumir o desafio de ser governador”

“Sou um sobrevivente”

“Nossa Senhora se incorporou em mim. Você sabe o que é um força divina, o Espírito Santo, entrar em você? Seu corpo se transforma. Eu caí no pranto. A partir dalí, virei outra pessoa”

[No primeiro Governo Lula] “O Guimarães aparelhou o Banco do Nordeste“.

O fato é que José Airton Cirilo tem a cara do PT do Ceará. Foi ele o primeiro prefeito do partido em uma cidade do Interior do Estado. Mais precisamente, Icapui, a pequena cidade que fora distrito de Aracati e fez sua primeira eleição em 1985.

A gestão de José Aírton foi uma espécie de laboratório das primeiras experiências administrativas do PT no Brasil. Daí, muitas atenções voltadas para a cidade. E é claro: José Airton encarnava os ideais daquele momento.

A experiência de Icapui vingou politicamente, a cidade foi sucessivamente administrada pelo PT e José Airton deu saltos para a política estadual.

Foi vereador de Fortaleza e duas vezes candidato ao Governo do Ceará. Na disputa de 1982, chegou ao segundo turno contra Lucio Alcântara. Por um tiquinho de nada não derrotou o candidato bancado por Tasso Jereissati e Ciro Gomes.

Depois disso, uma sequência de eleições para a Câmara dos Deputados. Tanto que, aos 66 anos, Círilo já está em seu quinto mandato consecutivo como deputado federal tendo sobrevivido aos furacões que afetaram o PT nacional.

José Airton é advogado e engenheiro civil, com mestrado em Direito Público. Começou sua militância política na universidade, tendo lá participado dos movimentos que acabaram por levar à fundação do PT em 1980.

E é com José Airton Cirilo, que mantém acesa a chama das polêmicas, que o Focus Colloquium conversa.

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