Aécio e Cid se movem em sintonia e reposicionam Ciro no tabuleiro nacional

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Movidos a vinho e Coca-Cola, Ciro, Aécio e Tasso conversaram em 20 de março passado: quem conhece o trio sabe que o plano nacional foi o tema principal.

O que à primeira vista parecem articulações distintas — de Aécio Neves, em Brasília, e de Cid Gomes, no Ceará — na verdade convergem para um mesmo objetivo: recolocar Ciro Gomes no centro do jogo nacional em 2026.

A movimentação de Aécio, ao intensificar conversas em busca de uma “terceira via”, expõe a carência de um nome com densidade eleitoral real. Já o gesto de Cid, ao tentar reconstruir a ponte política — e pessoal — com o irmão, mediado por Tasso Jereissati, oferece exatamente essa peça que falta ao quebra-cabeça do centro.

Não se trata, portanto, de agendas paralelas. Trata-se de uma engrenagem que começa a girar em dois níveis.

No plano local, a reaproximação fortalece Ciro como liderança no Ceará, reorganiza o campo oposicionista e recompõe um palanque relevante no Nordeste. Mas limitar essa movimentação ao âmbito estadual é subestimar seu alcance. O que está em curso é a tentativa de reconstruir as condições políticas mínimas para que Ciro volte a ser competitivo nacionalmente.

No plano nacional, é justamente esse ativo que Aécio busca. A terceira via precisa de um nome que não seja apenas aceitável nos bastidores, mas reconhecível para o eleitor. E, goste-se ou não, Ciro é hoje um dos poucos fora da polarização com esse atributo.

Há, porém, uma ambiguidade estrutural nesse reposicionamento.

Ciro pode se fortalecer localmente — e isso é quase uma etapa obrigatória —, mas o movimento não se esgota no Ceará. Ao contrário: o fortalecimento regional é o meio, não o fim. Ele funciona como base de lançamento para uma tentativa de reocupação do espaço nacional.

O dado novo é a convergência. Diferente de outros ciclos, em que o centro se fragmentava em múltiplas candidaturas frágeis, agora há sinais de coordenação — ainda que incipiente — entre articulações regionais e nacionais.

O desafio permanece o mesmo: transformar viabilidade política em viabilidade eleitoral.

Mas, desta vez, há um elemento que altera a equação: Ciro deixa de ser apenas um candidato recorrente e passa a ser novamente um projeto em construção, sustentado por movimentos que passam a dialogar entre si diante do octogenário e desgastado Lula e o jovem inexperiente Flavio com seu telhado de vidro.

Se isso será suficiente para romper a lógica da polarização, ainda é cedo para dizer. Mas uma coisa já é clara: a terceira via, se vier a existir, passa necessariamente pelo reposicionamento nacional de Ciro Gomes.

Atentem: até aqui, Ciro não bateu o martelo sobre sua candidatura a governador do Ceará ao mesmo tempo que mantém uma distância regulamentar do nome “Bolsonaro”, muito embora mantenha o relacionamento com o bolsonarismo local. O sentimento dos bastidores é que Ciro está na expectativa da brecha nacional que começa a se formar.

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