O que houve:
O ex-presidente dos EUA,Barack Obama, subiu ao palco do Hamilton College, em Nova York, e fez um alerta às universidades americanas: resistam aos ataques do governo federal e reafirmem seus princípios, mesmo sob risco financeiro.
O pano de fundo:
Sob o governo Trump, instituições como Columbia, UPenn e Harvard perderam centenas de milhões de dólares em repasses federais, sob o argumento de “combate ao antissemitismo”. Para críticos, trata-se de uma escalada ideológica contra a liberdade acadêmica — uma nova “Caça às Bruxas”, nas palavras do presidente de Princeton.
A fala que marcou:
Obama não poupou críticas à cultura do cancelamento nos campi. “A ideia de cancelar um palestrante… mesmo que eu ache suas ideias desagradáveis… você os deixa falar e depois diz por que eles estão errados. É assim que você ganha a discussão.”
Por que importa:
O ex-presidente mira dois alvos ao mesmo tempo:
1. O autoritarismo de Estado, que tenta asfixiar universidades críticas ou alinhadas com pautas progressistas.
2. O autoritarismo cultural, que brota dentro das próprias instituições e ameaça a liberdade de expressão.
Vá mais fundo:
Obama, mestre da ambivalência construtiva, vira o jogo: chama os liberais (esquerda nos EUA) à autocrítica e, ao mesmo tempo, desafia os conservadores com a lógica que os próprios dizem defender — a liberdade de expressão.
O toque estratégico:
Ele sugere que universidades recorram a suas bilionárias dotações — tradicionalmente intocáveis — para enfrentar a pressão política. Reforça o argumento com Lawrence Summers, ex-presidente de Harvard: “Em emergências, dá-se um jeito.” (NYT)
No centro do debate:
O embate vai além de republicanos contra democratas. Está em jogo a função das universidades como arenas de conflito civilizado, não de silenciamento. Em tempos de polarização, a defesa de princípios básicos — como ouvir o outro lado — torna-se, paradoxalmente, um ato revolucionário.
No radar do Brasil:
O alerta ecoa por aqui. A crescente politização de reitores, cortes orçamentários seletivos e a pressão de grupos ideológicos colocam em xeque o papel da universidade como espaço de crítica e pluralidade.
Entrelinhas:
Obama dá uma aula de liderança democrática: reconhecer falhas internas sem ceder à intimidação externa. É uma chamada à coragem — não só para resistir, mas para ensinar pelo exemplo.