
O fato
Sabe-se como uma CPI começa, mas raramente como termina. A CPI do Crime Organizado aprovou a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Maridt Participações, empresa da qual o ministro do STF Dias Toffoli é sócio e que recebeu recursos de fundo ligado ao Banco Master na venda do resort Tayayá (PR). O requerimento é do presidente da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e abrange o período de janeiro de 2022 a fevereiro de 2026, incluindo acesso a relatórios do Coaf.
Os desdobramentos
A comissão avançou em múltiplas frentes: convocou irmãos do ministro que são sócios da empresa, convidou os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes a prestar esclarecimentos e ampliou o foco para contratos do banco com o escritório da esposa de Moraes. Também foram chamados ex-autoridades e integrantes de governos distintos — de Roberto Campos Neto e Paulo Guedes a Rui Costa, Gabriel Galípolo e Guido Mantega — sinalizando que a investigação pode atravessar diferentes administrações e áreas do Estado. O próprio Banco Master teve sigilos quebrados, ampliando o raio de ação da CPI.
O que disse Alessandro Vieira
Autor do pedido e presidente da CPI, Vieira classificou a medida como “um passo histórico para o fim da impunidade no Brasil”, afirmando que relações da “alta cúpula do Judiciário” nunca haviam sido investigadas e que “numa República de verdade, todos podem ser investigados, ninguém está acima da lei”. Na justificativa, sustentou haver “extrema urgência” para desmantelar uma suposta rede de influência e lavagem de capitais ligada ao banco.
O comentário — potencial explosivo
O episódio desloca a CPI do terreno policial para o núcleo institucional da República. Investigações parlamentares que tangenciam ministros do Supremo e o sistema financeiro tendem a produzir choque entre Poderes, sobretudo quando acompanhadas de convocações de autoridades de diferentes governos. Forma-se um cenário de efeito dominó: novas revelações podem ampliar o alcance político da comissão, pressionar o STF, reordenar alianças no Congresso e transformar a CPI em epicentro de instabilidade nacional. É o tipo de investigação que, uma vez acionada nesse nível, deixa de ser apenas apuração de fatos e passa a disputar narrativa, poder e legitimidade institucional.






