No Focus Colloquium, pró-reitor de Cultura da UFC discute parcerias, reestruturação da universidade e o desafio da interiorização

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Foto: Divulgação

O Focus Colloquium de hoje, segunda-feira, 11, destaca um aspecto singular da Universidade Federal do Ceará: a inclusão da Cultura como uma dimensão institucional. Pela primeira vez na história da UFC, a Cultura está representada através da figura do pró-reitor Sandro Thomaz Gouveia, natural de Rio Branco, Acre.

Com 55 anos, Sandro é formado em química industrial pela UFC (1992), mestre em química pelo Instituto de Química de São Carlos – USP (1994) e doutor em química pela Universidade Federal de São Carlos (2000). Na ocasião, o pró-reitor falou dos próximos projetos, do fortalecimento da cultura não só na instituição, mas em toda Capital, e das parcerias formadas.

Confira os principais trechos da entrevista:

Integração entre as ações culturais

“A cultura sempre foi uma parte essencial da nossa universidade. Temos o Museu, a Rádio e a Casa Amarela, mas agora estamos buscando integrar ainda mais ações. Com nove equipamentos culturais para administrar, é crucial que organizemos nossas iniciativas de maneira eficiente. Isso amplia consideravelmente o espectro de experiências culturais disponíveis para nossos alunos e comunidade. Reconhecemos a importância de incluir a perspectiva científica e acadêmica nesse contexto. Estamos promovendo um processo de compartilhamento de ideias e diálogos entre essas áreas, buscando sinergias que possam enriquecer tanto a cultura quanto o conhecimento acadêmico. Outra preocupação central é garantir que a pró-reitoria tenha uma política de alcance abrangente em toda a universidade, além de contribuir para o processo formativo de nossos alunos. Já começamos esse trabalho em colaboração com as pró-reitorias de Pós-Graduação e Extensão. Entendemos que os universitários precisam de uma visão mais ampla e profunda da cultura, por isso estamos discutindo maneiras de integrar esses aspectos no currículo acadêmico.”

O corredor cultural da Avenida da Universidade 

“Dialogamos bastante com o departamento de arquitetura sobre nosso projeto. A ideia é criar um grande corredor cultural que se estenda desde a avenida até a Estação das Artes e, posteriormente, até o Dragão do Mar. Ao longo dessa rota, que vai da reitoria até a Estação, conseguimos identificar 25 unidades culturais, incluindo aquelas da universidade, do governo, municipais e privadas. Essa via se torna um espaço único na cidade. Entendo que esse corredor tem um potencial adicional. Não será apenas uma rota de acesso aos equipamentos culturais; o corredor em si será um equipamento de cultura. A proposta é transformar toda a via, tornando o ambiente mais dinâmico e fluido. Queremos mudar o aspecto arquitetônico, incluindo espaços para grafites, áreas de criação de rua, apresentações de circo, tornando tudo em um grande ponto de encontro e passeio para todos.”

Parcerias com as Fundações

“Quando o professor Custódio nos convidou, surgiram questionamentos nesse diálogo, e um deles era sobre a sustentabilidade da área da cultura. Financeira, de parcerias e uma série de questões relacionadas. O custeio, vindo do Governo Federal para a universidade, é uma única fonte, e temos uma série de infraestruturas para resolver, onde a cultura entra como parte essencial desse desafio. Entendemos que essas fundações são fundamentais para criarmos diálogos em busca de parcerias e projetos sustentáveis. Todo o arcabouço legal está à disposição, e essa é uma preocupação nossa. Pretendemos ter parceiros ativos das fundações para avançar nesse sentido. A preocupação com a área da cultura, seu custeio, seu potencial e as parcerias com fundações são aspectos centrais de nossa abordagem.”

As leis de incentivo

“Na estrutura da nossa pró-reitoria, estamos passando por um processo de categorização do modelo. Estamos em um novo patamar, especialmente com as leis de incentivo, como a Lei Paulo Gustavo, por exemplo. Além dessa, teremos um aporte de 3 bilhões até 2027, consequência do Audir Blanc. Esse volume de recursos é considerável e vai impactar significativamente nossas atividades. Recentemente, também foi aprovado o Sistema Nacional de Cultura, que é como o nosso SUS, mas para a cultura. Esse sistema será de extrema importância para garantir que o Estado não apenas provê educação e saúde, mas também cultura. Com esse sistema, criamos uma co-participação, com o Governo Federal e Estadual se unindo para promover a cultura.”

Os desafio da interiorização

“Temos o desafio da interiorização, com cinco campi no interior. E a pró-reitoria não pode ficar apenas na capital. Iniciamos um processo de inserção, onde cada campus abrange uma região específica. Nosso próximo passo é mapear essas regiões para identificar suas potencialidades e características, visando desenvolver projetos que atendam suas necessidades. Itapajé, Sobral, Russas, Crateús e Quixadá são os municípios. Neste mês de março, assinamos um protocolo para a criação de um teatro em Itapajé, uma estrutura que até então não tínhamos, por exemplo. Nem a UFC possuía. Esse é um desafio e compromisso assumido por nós. Outro aspecto importante é a relação com os saberes populares. Estamos buscando estabelecer diálogos com mestres da cultura, trazendo-os para dentro da universidade para compartilhar seus conhecimentos. Além disso, queremos que os alunos tenham a oportunidade de vivenciar isso em suas regiões, contribuindo para a formação acadêmica e cultural dos estudantes.”

Assista novamente ao Focus Colloquium:

Focus Colloquium: UFC, cultura e as cidades

 

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