Nobel de economia vai para estudos que explicam diferenças de prosperidade entre as nações e Brasil se enquadra no diagnóstico

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Uma Família no Rio de Janeiro. Obra de Jean-Baptiste Debret ou De Bret (Paris, 18 de abril de 1768 – Paris, 28 de junho de 1848).

O que aconteceu
O Prêmio Nobel de Ciências Econômicas foi concedido a Daron Acemoglu, Simon Johnson e James Robinson por suas pesquisas sobre como instituições moldam a riqueza dos países. Eles argumentam que os países que construíram instituições inclusivas durante o período colonial acabaram mais prósperos, enquanto os que desenvolveram sistemas extrativistas permanecem atolados na desigualdade.

A correlação com o Brasil
O Brasil, assim como outros países da América Latina, carrega cicatrizes profundas de uma colonização extrativista. Durante séculos, as riquezas foram exploradas em benefício de poucos, enquanto a vasta maioria da população era excluída de qualquer participação nos frutos da prosperidade. A pesquisa dos laureados oferece uma explicação poderosa para o fato de o Brasil, mesmo sendo uma das maiores economias do mundo, continuar a lutar contra altos níveis de desigualdade e pobreza.

Por que a história pesa no presente

• Legado Colonial: No Brasil, o período colonial instaurou uma cultura de exploração que privilegiou elites e ignorou a construção de um sistema inclusivo. A posse de terras e a concentração de riquezas em mãos de poucos ainda reverberam no cenário atual.
• Estruturas de Poder: As elites no Brasil têm mantido controle econômico e político, resistindo a reformas que possam redistribuir poder e oportunidades de forma mais equitativa.
• Desigualdade Persistente: No país, os direitos de propriedade e a inclusão econômica não foram amplamente distribuídos, o que limita o acesso à riqueza e perpetua o ciclo de pobreza e exclusão.

O que disseram os economistas
Segundo Acemoglu e Robinson, a desigualdade não é meramente uma questão econômica, mas resultado de sistemas institucionais que beneficiam os mais privilegiados. Esse contexto torna a democracia — ainda que imperfeita — uma ferramenta poderosa para romper com esse ciclo de exclusão. No entanto, eles advertem que a democracia por si só não é suficiente. No Brasil, por exemplo, as instituições democráticas têm sido vulneráveis a interferências, e a corrupção é uma constante que corrói a confiança pública.

O papel da democracia no desenvolvimento

Embora Acemoglu e seus colegas favoreçam a democracia, eles também alertam que o sistema pode ser instável, especialmente em países que saem de períodos autoritários. No entanto, a história tem mostrado que democracias são, em média, mais sustentáveis e inovadoras a longo prazo, ainda que levem tempo para amadurecer. No Brasil, os avanços democráticos nas últimas décadas trouxeram melhorias, mas os desafios institucionais persistem.

O debate acadêmico
Os laureados ressuscitaram o interesse pelo estudo das instituições como fator crucial para o desenvolvimento econômico, contestando a ideia de que a cultura é o principal determinante do sucesso de uma nação. O exemplo de países como o Brasil destaca como sistemas coloniais e extrativistas dificultam a evolução para uma sociedade mais justa e próspera.

A questão de fundo
A pesquisa dos vencedores do Nobel não oferece soluções fáceis, mas ilumina o caminho. Para o Brasil, o desafio é claro: construir instituições mais inclusivas e sustentáveis, capazes de romper com um passado de exclusão. Isso exigirá reformas que enfrentem de frente os interesses arraigados, mas é o caminho para uma prosperidade mais duradoura e equitativa.

Nobel economia 2024

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