
A celebração dos primeiros 200 dias de Jair Bolsonaro tornou-se um constrangimento quando o presidente da República evidenciou pouca boa vontade com a Região Nordeste. É um desatino tratar de forma descortês nove estados, com população superior a 55 milhões de habitantes.
O que técnicos e ministros do governo federal estão tentando construir em termos de desenvolvimento regional pode sucumbir com um posicionamento desastrado. Os estados nordestinos precisam economicamente do Governo Federal. É fato.
Mas num sistema federativo é preciso haver reciprocidade, alinhamento e um mínimo de cordialidade. Intimidação e preconceito geram um desgaste desnecessário para quem tem apenas seis meses de governo. Humildade, diálogo e educação política são o caminho.
O momento não é de estimular conflitos, mas de buscar pontos convergentes numa agenda para a retomada do crescimento econômico, evitando disputas mesquinhas que atrapalhem os projetos importantes para a maioria da população.
A essa altura pouco importa em qual quadrante do País cada um nasceu. As eleições foram concluídas ano passado e agora é momento de olhar para frente, sem ressentimentos e pensar no melhor para todos, incluindo os nordestinos.
Quem desmerece os nordestinos conhece pouco da contribuição que tiveram para o engrandecimento e unidade do País. Respeito por essa história é recomendável. Não deveria haver espaço para hostilidades com a Região e seu povo.
O que é preciso, no momento, é um projeto consistente de desenvolvimento regional. Que contemple não apenas o Nordeste, mas também o Norte do País. Contudo é difícil avançar nessa área quando a presidência da República destila desdém e preconceito contra os nordestinos.
Que haja mais serenidade e que esse momento seja superado. O país, há tempos, vem perdendo com divisões tolas; carecendo de uma comunicação que agregue mais; e de políticas públicas que levem resultados para milhões de pessoas necessitadas em todo o país – de norte a sul.
Somos nordestinos e também brasileiros – aliás, foi na Região Nordeste que a história do Brasil começou – e sonhamos uma nação mais solidária, menos desigual e que possa proporcionar um futuro melhor para todos.







