
As redes sociais foram surpreendidas neste sábado, dia 17/08, com o anúncio do encerramento do escritório brasileiro do X (o antigo, ou sempre TWITTER), via postagem da sua conta institucional @Global Government Affairs, que numa tradução livre seria @Assuntos Governamentais Globais.
O teor do comunicado informou que o representante legal do X no Brasil foi ameaçado pelo Ministro do STF, Alexandre de Moraes, com prisão em caso do não cumprimento das ordens de bloqueio imediato de contas selecionadas pelo Ministro. A postagem no X classificou a determinação judicial como censura, e informou que a notificação foi em caráter de ordem secreta, e aproveitaram essa vitrine virtual para compartilhar e expor essa determinação recebida.
O MODELO DE NEGÓCIO DO X
A plataforma X, anteriormente conhecida como Twitter, tem passado por transformações em seu modelo financeiro. Historicamente, a maior parte de sua receita vem da publicidade digital, com anúncios sendo exibidos na forma de tweets promovidos, contas promovidas e tendências promovidas.
Essas estratégias publicitárias permitiram à empresa atingir um público global, utilizando a segmentação de dados para otimizar os resultados para os anunciantes. No entanto, nos últimos anos, a empresa tem buscado diversificar suas fontes de receita, explorando novos caminhos além da publicidade.
A aquisição da empresa por Elon Musk, foi concluída no dia 27 de outubro de 2022, após meses de disputa e negociações. O valor total da aquisição foi de aproximadamente 44 bilhões de dólares. Musk manifestou a intenção de transformar a plataforma em uma “super app”, semelhante ao WeChat, integrando serviços financeiros e possivelmente criptomoedas.
Essa nova direção estratégica ainda está em fase de desenvolvimento, e o impacto dessas mudanças no modelo financeiro da empresa ainda é incerto, mas elas representam uma tentativa de expandir as fronteiras do que a plataforma pode oferecer aos seus usuários e investidores, e trouxe novas perspectivas para o futuro financeiro da empresa.
Uma das iniciativas mais recentes foi a introdução de serviços de assinatura, como o Twitter Blue, que oferece funcionalidades exclusivas para os usuários dispostos a pagar uma taxa mensal. Outro exemplo é o Super Follow, que permite que criadores de conteúdo cobrem pelo acesso a tweets exclusivos.
Essas iniciativas visam reduzir a dependência da empresa em relação à publicidade e criar novas fontes de receita que sejam mais previsíveis e menos suscetíveis às oscilações do mercado publicitário.
O PAPEL DO ESCRITÓRIO DO X NO BRASIL
Manter um escritório no Brasil, e especificamente na cidade de São Paulo, é uma estratégia adotada por todas as empresas BigTech, que é o termo cunhado pelo mercado financeiro para agrupar as maiores empresas do setor de tecnologia como Google, Apple, Amazon, Facebook (Meta), Microsoft e X.
O escritório dessas corporações no Brasil desempenha um papel crucial na estratégia de expansão na América Latina, com um foco especial no mercado publicitário.
O escritório do X no Brasil era responsável pela adaptação das políticas globais às particularidades locais, tendo como uma de suas principais funções a negociação e o desenvolvimento de parcerias com marcas e agências publicitárias.
Essas colaborações visavam atrair investimentos em publicidade digital, elemento central no modelo de receita da plataforma, garantindo assim uma posição competitiva no mercado brasileiro.
Com base nas estimativas e ranking elaborados por empresas internacionais de estratégias de SEO (Search Engine Optimization) e de marketing digital, como Backlinko, Oberlo e World Population Review, o Brasil é o sexto maior mercado mundial do X, que em junho de 2024 contava com estimados 21,5 milhões de usuários.
Outra função da representação no Brasil consistia em dar suporte a influenciadores e criadores de conteúdo que era outro pilar da atuação do X no país. Com o encerramento de seu escritório, haverá a necessidade de sinalizar como ficarão os serviços já contratados e como serão contratados doravante.
Ao promover o engajamento de usuários e facilitar a monetização de conteúdo, o escritório contribuía para o crescimento sustentável da base de usuários e para o fortalecimento do ecossistema digital no país.
Essa abordagem equilibrada, entre crescimento de receita, conformidade regulatória e suporte a usuários visava assegurar a relevância contínua da plataforma no mercado brasileiro, ao mesmo tempo em que alavancava oportunidades econômicas para a empresa na região.
Como a empresa fechou o capital após a aquisição de Elon Musk, em 2022, retirando-se das negociações da bolsa de valores de Nova York (NYSE), e encerrando a obrigação de divulgação pública de seus demonstrativos financeiros, os resultados por localidade deixaram de ser acessíveis.

Além da publicidade, o escritório do X no Brasil também desempenhava um papel relevante na moderação de conteúdo e no cumprimento das regulamentações nacionais, assim como em qualquer país onde mantenha representação.
Oficialmente, o escritório atuava em conformidade com as exigências legais brasileiras, colaborando com autoridades para manter a plataforma em linha com as normas locais. Esse seria um papel essencial para proteger a integridade da empresa no país e evitar sanções que poderiam impactar negativamente a operação.
Aguardemos os desdobramentos dessa decisão e o impacto no mercado digital brasileiro que tem o X, segundo o relatório da DataReportal – Global Digital Insights, entre as 10 maiores plataformas digitais utilizadas no Brasil, mas que ainda funciona como a principal mídia digital de exposição de opiniões políticas e divulgação de fatos econômicos.







