O eleitor, ave migratória; Por Paulo Elpídio Menezes Neto

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São Paulo (SP) 30/05/2024 – 32ª edição da Marcha para Jesus na avenida Tiradentes. O tema deste ano é “Dupla Honra”, uma referência ao texto bíblico de Isaías 61:7. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

[Contando as cabeças de eleitores hesitantes]

Somados, Nunes e Marçal têm o dobro do número de votos de Boulos. Os demais candidatos, com os sufrágios somados, contabilizam cerca de 10% da votação total,

Os eleitores de Nunes e Marçal apresentam um perfil conservador que escapa aos eleitores de Boulos.

O desvio-padrão desta distribuição de sufrágios está precisamente no eleitor de Boulos e de Marçal.

Boulos conseguiu inexplicavelmente sensibilizar a burguesia e um contingente de “empresários” que não percebem que estão apertando o laço da gravata em torno do próprio pescoço.

A avenida Paulista reage com o psicologia do novo rico que é “bom de caixa”, mas conserva as fantasias de quando era pobre. Ademais, vale o enorme contingente de imigrantes nordestinos que funcionam sob a influência de um partido “progressista e popular”. São Paulo é, em termos populacionais povoado de nordestinos “recebidos”, em estado de “nordestinados”.

Quanto a Marçal, candidato construído nos nichos das redes sociais, jovem e demolidor como os jovens gostam de ver e de imitar, nota-se a arrelia de um viveiro inquieto de eleitores a um passo da radicalização ideológica, levados pelo falso entendimento dos próprios impulsos.

Onde chegamos nesta avaliação de tendências?

1. São Paulo, capital, apesar dos desvios evidentes das tendências ideológicas do eleitorado, é conservador (Nunes + Marçal);

2. Paradoxalmente pode esperar-se a migração oportunista de parte do eleitorado jovem e “progressista” de Marçal para Boulos;

3. O eleitor de Nunes é aparentemente inamovível, como o de Boulos; mas não o de Marçal.

4. A maioria de Nunes será construída com a transferência de grande parte dos eleitores de Marçal.

Impensável seria, por conta de acordos partidários e sob pressão do governo federal, que a maioria de Nunes e Marçal, evidenciada nos sufrágios apurados no primeiro turno, fosse esmagada pela minoria de Boulos… Ainda assim este é um risco previsível.

Por fim a evidência mais chocante: o perfil do eleitor da maior cidade do país, a mais próspera e “moderna”, fruto da riqueza ali construída, não é diferente dos eleitores de cabresto dos desvãos dos estados consorciados do Nordeste…

A consciência política do eleitor não é modelada mercê das obras de catequese de um “Estado providencial”: não é da postura protecionista dos programas de “bolsa família” que será alimentada a consciência política do povo. Muito menos da moldura primitiva de uma escola “com partido”.

That’s all the folks”…

Paulo Elpídio de Menezes Neto é articulista do Focus, cientista político, membro da Academia Brasileira de Educação (Rio de Janeiro), ex-reitor da UFC, ex-secretário nacional da Educação superior do MEC, ex-secretário de Educação do Ceará.

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