
Por Frederico Cortez
cortez@focuspoder.com.br
A Constituição Federal de 1988 elenca de início o principal postulado da nossa representatividade política. Assim, a lógica é tomada de uma rica simplicidade quando o parágrafo único do art. 1º versa que “Todo poder emana do povo”. Ainda na mesma coluna legal, ao fim, insta insculpido um dos principais pilares da democracia, qual seja: o pluralismo político.
O poder, a depender de quem o usa, pode desvirtuar o encargo daquele que foi eleito pelo povo. Não generalizando e apoiado num histórico inconteste, até o dia da eleição temos um momento divisor que institui o que denomino de “multiverso político”. O que antes fora apresentado aos eleitores como seu “representante”, perpassa agora para um ser independente e em certos casos confundido até como um alienígena que pouco sabe ou mostra-se interessado quanto aos problemas da população. Nessa linha, a universalidade que permeia toda uma campanha eleitoral transita em pouco tempo para a multiversalidade política.
Trazendo uma conceituação mais simplista, “multiverso” é uma terminologia utilizada para conceituar um conjunto hipotético de universos possíveis, com a inclusão da nossa realidade. Desta forma, uma vez descrito todos os “mundos” em potencial, teremos a plena capacidade de estabelecer a compreensão sobre o todo.
A dualidade situação x oposição nada mais é do que a Teoria dos Freios e Contrapesos (Checks and Balances System) utilizada amplamente no direito brasileiro. Também conhecida como Teoria da Separação dos Poderes, tal mecanismo foi consagrado na obra “O Espírito das leis” de autoria do político, filósofo e escritor francês Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu (1689-1755), ou simplesmente Montesquieu. Por tal postulado axiológico, um poder é fiscalizador do outro, desde que respeitado o limite entre eles. Isso é democracia!
Trazendo para o nosso atual contexto político, não ecoa pelos corredores do Congresso Nacional uma voz racional/lógica destoante que seja contra as reformas que o País necessita. Pelas transmissões das comissões na Câmara dos Deputados afeita a discussões sobre a reforma previdenciária, vislumbramos alguns “universos” que sequer se aproxima da situação em que nos encontramos. O que vale para tais seres intergalácticos, travestidos de “políticos/representantes do povo”, é ser do contra e pronto! Argumentos técnicos e baseados em estudos sequer são de seus conhecimentos. Mais importante é o tumulto e a balbúrdia causada, com o desiderato de objetar o andamento da reforma da Previdência.
Uma mensagem tem que ser transmitida urgentemente, seja em que dialeto for, para os tais “representantes intergaláticos’ no sentido de alertá-los para o precipício que o Brasil caminha. O prazo fatal foi dado pelo corpo técnico do Governo: 2022. A multiversalidade de pensamentos é mais do que bem-vinda para o jogo democrático, o que se revela descabido é tão somente o olhar perdido para fora do interesse do bem maior que é a coletividade/sociedade.
*Ilustração- ciberia.com.br







