O paradoxo de Davos, por Silvana Parente

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Silvana Parente é Doutora em Economia, diretora do Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH) e vice-presidente do Conselho Regional de Economia- Corecon Ceará. Foto: Divulgação

Criado há 50 anos, o Fórum Mundial de Davos costuma ditar o tom das discussões sobre economia durante o ano e a década seguinte. Os temas principais do Fórum este ano foram: Como salvar o planeta, a sociedade e o futuro do trabalho, além da tecnologia para o bem, economias mais justas, futuros saudáveis e a geopolítica. O encontro ocorreu no último dia 24 de janeiro.

Olhando essa pauta temática, na atualidade e na prática, o mundo vive outra realidade. O planeta está sendo depredado e não se consegue pactuar a redução do aquecimento global. As economias nacionais cada vez mais centradas no neoliberalismo impondo flexibilização de leis trabalhistas e precarização do trabalho em todo o mundo, sem falar do desemprego e subemprego generalizado, comprometendo a coesão social.

O avanço tecnológico do planeta cada vez mais distancia ricos de pobre e não se reverte em redução das desigualdades sociais, enquanto o sistema financeiro subordina as esferas da produção e do consumo. Em nome da retomada do crescimento econômico, as políticas econômicas dominantes desprezam as estratégias distributivas e outras alternativas de organização empresarial mais solidárias e focadas no DNA de cada nação, na inclusão e no trabalho descente.

Melhores negócios para quem? Para 100 bilionários americanos e outros 100 do resto do mundo que estarão presentes em Davos para defender seus interesses, ou seja, aumentar a lucratividade de seus capitais. Como vislumbrar futuros saudáveis enquanto é propagada pela grande mídia dominante nos respectivos continentes uma cultura do consumismo desenfreado e que vira sonho das crianças e jovens do planeta nas redes sociais.

Por fim, para além da geopolítica, enquanto o governo americano provoca ambiente de guerra mundial, a extrema direita fascista avança no mundo e as elites apoiam ou ficam alheias às suas consequências. Enfim, fica um alerta para os brasileiros, enquanto o Ministro Paulo Guedes, general da política econômica brasileira, vai lá vender o Brasil, para não dizer entregar o patrimônio nacional. Não podemos nos calar nem aquietar, avante!

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