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Florentino Cardoso é cirurgião oncológico. Preside a Confederação Médica Ibero-Latina-Americana e do Caribe (Confemel).

Por Florentino Cardoso
Post convidado
Daqui cerca de quatro meses teremos eleições para Deputados, Senadores, Governadores e Presidente da República. O que nos espera? Grande parte do nosso legislativo estadual e federal (câmara e senado) afunda em denúncias, em diferentes áreas e intensidades. Governadores acusados e cassados. Presidente sob suspeita. O que acham de renovarmos todos? Mesmo que corramos o risco de não “limpar as casas legislativas e palácios governamentais” vale a pena tentar mais uma vez, torcendo para que sejamos mais seletivos e assertivos nas novas escolhas.
Existem áreas sociais que nos esforçamos para que estejam bem, mas nesse momento são ruins, especialmente segurança, educação e saúde. Perdemos o direito de ir e vir, pelo medo da violência, aprisionados nas nossas residências. Fala-se da “melhor educação do Brasil”, mas enviesam indicadores e o teto de comparação tem sido a educação brasileira, que está mal. E a saúde, nosso bem maior, agoniza e faz-nos todos sofrer.
A saúde pública no Brasil, Ceará e Fortaleza é ruim. Não temos números confiáveis, não temos dados bem coletados, assim, falta-nos informações seguras, para que possamos utilizar como ferramenta de gestão. E como fazer gestão com as atuais escolhas e sem que tenhamos definidas corretamente a hierarquia do atendimento, nem comunicação entres os três níveis de complexidade. A atenção primária não se comunica com a secundária, que não se comunica com a terciária. A resolutividade em todos os níveis não suporta comparação com países de economia menor que a nossa.
Sobram pacientes em filas de espera para consultas, exames e cirurgias, emergências superlotadas de pacientes em macas e cadeiras, sem que tenhamos claramente mostrados nossos indicadores de produtividade e qualidade, que são ruins. Pacientes morrem desassistidos dentro de hospitais. Nossos desfechos, ou resultados poderiam ser muito melhores. Faltam leitos, macas, inclusive cadeiras, além de medicamentos, equipamentos e até luvas. Felizmente ainda temos profissionais de saúde dedicados e comprometidos, que mesmo em condições inadequadas de trabalho, sem vínculo formal de trabalho e alguns trabalhando como “boias-frias” (contrato provisório ou sem contrato) dedicam-se a cuidar das pessoas.
Com o avançar do período pré-eleitoral ao eleitoral surgem “donos da verdade”, que mentem e manipulam dados e informações, na vã tentativa de ludibriar os eleitores. Querer culpar médicos e outros profissionais de saúde, falando que ganham muito, trabalham pouco e que a saúde e especialidades médicas precisam estar sob total regime estatal é não somente desconhecer o setor saúde, quanto usar de má fé. Chega de viver no “eu acho”, “eu penso” e passemos a agir com evidências, conhecimento, verdades.
Que juntos possamos fazer melhores escolhas e imbuídos dos melhores propósitos, coletivos, possamos desenhar, projetar e colocar em prática ações para um futuro melhor na segurança, educação e saúde para nosso povo querido e sofrido!
Saúde é nosso bem maior e merecemos respeito.
 

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