O que Sarto e seu entorno ganham ao atacar Elmano e Camilo?

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A indiferença do povo diante de uma disputa inglória.

Toma conta do noticiário político do Ceará o confronto entre alas políticas que, até julho de 2022, passaram praticamente duas décadas aos beijos e abraços.

De uma lado o Cirosartismo. De outro, o Cidcamilismo. Sim, tudo é muito complexo para resumir dessa forma, mas isso facilita a compreensão mais geral do que está acontecendo.

Bom, o fato é que Elmano de Freitas, o governador cuja candidatura foi politicamente bancada por Camilo Santana, está sendo duramente atacado por ex-aliados derrotados na eleição estadual de 2022. Mais precisamente, o prefeito José Sarto, seu vice, Elcio Batista, o ex-prefeito Roberto Cláudio e os que se aliam em torno desse grupo.

Não faz tempo, eram, no linguajar popular, farinha do mesmo saco partidário que mantinha e se beneficiava da hegemonia política no Ceará nascida sob as égides de Cid Gomes, o engenheiro político que hoje está no Senado. Pois é.

Foi curioso, para não dizer outro termo, assistir nas redes sociais o ex-presidente da Câmara de Fortaleza, Antônio Henrique (PDT), hoje deputado estadual, tentar forçar a entrada em um dos canteiros de obras (parado) do Metrofor. E, creiam, era um senhor, dizem que pastor, ao lado do jovem deputado bolsonarista Carmelo Neto.

Foi um daqueles típicos auês para lacrar nas redes sociais. A diferença é que Carmelo nasceu politicamente dentro dessa nova mídia. Tem domínio sobre esse meio e, alvíssaras, parou de gritar. Já Henrique parecia completamente perdido e à reboque. Ainda mais quando muitos sabem que há dezenas de discursos do ex-vereador a defender quem agora ataca. A lembrar: a referida obra nasceu no Governo Cid.

Neste momento, um dos mais radicais críticos do Governo de Elmano, governador alinhado com Camilo Santana, é o ex-chefe de Gabinete do hoje ministro da Educação. Elcio Batista é praticamente uma cria política de Eudoro Santana, pai de Camilo. Tanto que virou vice de José Sarto bancado por Camilo. Não duvidem se entre pai e filho soar, mesmo em pensamento, aquela velha frase: “Se arrependimento matasse…”

Há sim obra de metrô e outras obras do Estado paradas em Fortaleza. Rigorosamente todas estão paradas há muito tempo. Inclua-se os anos em que Elcio ocupava papel preponderante no Governo de Camilo. Então, a crítica não cheira bem. Claro: falta a velha e boa, mesmo que hipócrita, autocrítica, Não é mesmo?

Confronto entre o grupo que está na Prefeitura e que está no Abolição, não é algo novo. Porém, com a envergadura de agora algo do tipo só ocorreu lá pelos idos de 1991, quando Ciro Gomes estava no “Cambeba” e o médico Juraci Magalhães ocupava o Paço, uma herança deixada para ele quando o filho do senhor Euclides Ferreira Gomes deixou o Paço para se candidatar (e ganhar) o Governo do Estado um ano antes.

Ocorreu naquela época o que o noticiário político denominou de “guerra das placas”. Na disputa política entre os tucanos de então (no Governo) e o juracisismo, uma vertente do PMDB, Fortaleza ganhou um amontoado de obras patrocinadas por um lado e pelo outro. Cada um colocava a sua placa para dizer o quanto estava trabalhando pela Capital.

De certo modo, a cidade saiu ganhando.

Agora a coisa parece não ser bem assim. Antes de criticar, o grupo que se entricheira na Prefeitura precisa compreender alguns pontos. A começar: não vale à pena arrumar uma briga em torno do velho ancoradouro que precisa de reforma. Aquilo não tem nenhum impacto no cotidiano dos cidadãos (o que não elimina a necessidade de manter o equipamento em boas condições).

Mas, de todo modo, é muito bom que José Sarto, o prefeito da loura (não aquela petista)  desposada do sol tenha, enfim, despertado. Foram dois anos em que o alcaide da Capital, que mora na vizinha Eusébio, transpareceu para todos ter tomado uns bons goles de sumiço. A cidade pareceu tão acéfala que o vice notoriamente buscou ocupar o vácuo. Afinal, como até os frades de pedra sabem, o vácuo não prevalece na política.

Outro ponto: Não deve ser fácil para o ministro Camilo ver sua… digamos… cria Elcio atacá-lo da forma como fez em entrevista a uma emissora de rádio da cidade. Em resumo, o vice disse que a suposta má vontade de Elmano para com Sarto é um efeito estimulado por Camilo. Motivações figadais, para resumir.

A coisa toda promete durar. Está só no começo. Há pela frente uns 16 meses para as eleições. Em política, uma eternidade. Nunca antes na história da Capital a disputa sucessória foi tão antecipada. E justamente pelos grupos que até um dia desses trocavam juras de amor eterno e anunciavam um mar de rosas no Estado e na Capital.

Certamente, os opositores de um lado e de outro estão a esfregar as mãos. O absolutamente pífio desempenho de RC em Fortaleza na disputa para governador mostrou que Sarto não tinha (pelo menos naquele momento) força para fazer o pedetista ganhar a eleição nem sequer em duas parcas seções eleitorais.

Não se sabe ao certo o que o prefeito e seu entorno ganham ao alimentar essa controvérsia com o Estado. A experiência política diz que dificilmente haverá ganhos com isso. Muito provavelmente, trata-se de um grande erro político e, sem erro, de comunicação. Afinal, Elmano está em seu primeiro ano no Governo e, por óbvio, não será candidato a prefeito. Já Camilo, está em Brasília a cuidar de outros assuntos.

A não ser que seja um modo de antecipadamente culpar outros pelo, ao fim das contas da gestão, um possível desempenho (eleitoral?) ruim.

 

 

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