
Por Ricardo Alcântara
Post convidado
A direita que agora ousa dizer seu nome assusta quando fala. E a diferença é somente esta: decidiram dizer o que realmente pensam e o que pensam soa, para qualquer democrata, como ofensivo à dignidade humana – e é, digo eu, como um deles.
Ver gente nas redes sociais comemorando a execução sumária de uma vereadora carioca que denunciava os desvios de conduta de policiais militares desafia nossa capacidade de tolerância, virtude intrínseca à convicção democrática.
O perfil da vítima – negra, lésbica, favelada, esquerdista, isto é, todos os estigmas sociais que uma mulher suporta carregar – e as circunstâncias em que se deu o crime, em meio a uma intervenção federal nas forças de segurança daquele estado, agravam o despropósito dos festejos.
Há três linhas de questionamento que o pensamento conservador constrói em sua crítica à ação e ao discurso dos grupos que lutam em favor dos Direitos Humanos, em sua maioria vinculados a um ideário de esquerda:
1) Não apresentariam propostas concretas para um aspecto pontual, mas incontornável: a excepcionalidade da conjuntura em que o crime adquiriu uma dimensão social nunca vista, com legiões de seguidores nas periferias das grandes cidades.
2) Não pareceriam demonstrar, em igual medida e proporção, solidariedade efetiva com as vítimas dessa guerra que são oriundas dos quadros policiais, muitos deles executados covardemente, e também eles, em sua maioria, negros pobres.
3) Pouco ofereceria a quem sofre com os efeitos da excessiva tolerância, como aquele pai que vê um juiz de primeira instância colocar de volta às ruas o monstro que estuprou sua filha para, poucos dias depois, acabar com a vida de outra adolescente.
Não é inteiramente despropositado considerar a necessidade, e urgente, de institucionalizar medidas mais duras, ágeis e eficazes de combate à violência, ao tráfico e à criminalidade em geral. “O pessoal dos Direitos Humanos”, com a eles se referem os gorilas do olho por olho, reluta em admitir isso e vem perdendo apoio social.
A idéia de que os grupos que se articulam sob a bandeira dos Direitos Humanos “colaboram”, ainda que involuntariamente, “com o crime” é um equívoco. E mais. É uma idéia não apenas míope em suas premissas, mas perigosa em suas conseqüências.
No entanto, tais queixas, levantadas pelos menos pacientes, conduzem uma sinalização merecedora de maior atenção na avaliação das razões que têm levado a boa causa dos Direitos Humanos a uma perda crescente no apoio social que recebe.
Enfiar a cabeça na sua bolha ideológica e negar tais contradições não os ajudará a serem bem sucedidos. Parecem estar mais ocupados em ter razão do que vencer o monstro. São prisioneiros de uma solidariedade incondicional aos pobres que, mesmo quando se comportam como uma ameaça, deles recebem condescendência prévia.
Como foi dito, são “de esquerda”. Cuidam, portanto, de impor seus conceitos em coerente acordo com a embocadura igualmente autoritária de seu DNA enquanto herdeiros retardatários dos escombros leninistas, alheios ao fato de que estão cedendo preciosos espaços na opinião pública.
E o pensamento autoritário avança justamente sobre esses vazios que vão se formando, pouco a pouco, quanto mais aqueles grupos se aferram apenas aos fatores sociológicos que fomentam o crime e se recusam a aceitar os riscos incômodos inerentes ao serviço de combatê-lo.
Ser de esquerda assim é muito fácil. É como quem quer ir para o céu, mas não deseja morrer. Disse e repito: a “doutrina Maria do Rosário” está com seus dias contados e quem a está sepultando não é o exército: é a opinião pública.
O “Bolsonazismo” é apenas a alternativa disponível para os mal informados e, em caso de sua vitória, não serão poucos os que se arrependerão. Está na hora da esquerda brasileira, diante do fenômeno, se perguntar com uma sinceridade que muito lhe tem faltado: onde foi que nós erramos?
O perfil da vítima – negra, lésbica, favelada, esquerdista, isto é, todos os estigmas sociais que uma mulher suporta carregar – e as circunstâncias em que se deu o crime, em meio a uma intervenção federal nas forças de segurança daquele estado, agravam o despropósito dos festejos.
Há três linhas de questionamento que o pensamento conservador constrói em sua crítica à ação e ao discurso dos grupos que lutam em favor dos Direitos Humanos, em sua maioria vinculados a um ideário de esquerda:
1) Não apresentariam propostas concretas para um aspecto pontual, mas incontornável: a excepcionalidade da conjuntura em que o crime adquiriu uma dimensão social nunca vista, com legiões de seguidores nas periferias das grandes cidades.
2) Não pareceriam demonstrar, em igual medida e proporção, solidariedade efetiva com as vítimas dessa guerra que são oriundas dos quadros policiais, muitos deles executados covardemente, e também eles, em sua maioria, negros pobres.
3) Pouco ofereceria a quem sofre com os efeitos da excessiva tolerância, como aquele pai que vê um juiz de primeira instância colocar de volta às ruas o monstro que estuprou sua filha para, poucos dias depois, acabar com a vida de outra adolescente.
Não é inteiramente despropositado considerar a necessidade, e urgente, de institucionalizar medidas mais duras, ágeis e eficazes de combate à violência, ao tráfico e à criminalidade em geral. “O pessoal dos Direitos Humanos”, com a eles se referem os gorilas do olho por olho, reluta em admitir isso e vem perdendo apoio social.
A idéia de que os grupos que se articulam sob a bandeira dos Direitos Humanos “colaboram”, ainda que involuntariamente, “com o crime” é um equívoco. E mais. É uma idéia não apenas míope em suas premissas, mas perigosa em suas conseqüências.
No entanto, tais queixas, levantadas pelos menos pacientes, conduzem uma sinalização merecedora de maior atenção na avaliação das razões que têm levado a boa causa dos Direitos Humanos a uma perda crescente no apoio social que recebe.
Enfiar a cabeça na sua bolha ideológica e negar tais contradições não os ajudará a serem bem sucedidos. Parecem estar mais ocupados em ter razão do que vencer o monstro. São prisioneiros de uma solidariedade incondicional aos pobres que, mesmo quando se comportam como uma ameaça, deles recebem condescendência prévia.
Como foi dito, são “de esquerda”. Cuidam, portanto, de impor seus conceitos em coerente acordo com a embocadura igualmente autoritária de seu DNA enquanto herdeiros retardatários dos escombros leninistas, alheios ao fato de que estão cedendo preciosos espaços na opinião pública.
E o pensamento autoritário avança justamente sobre esses vazios que vão se formando, pouco a pouco, quanto mais aqueles grupos se aferram apenas aos fatores sociológicos que fomentam o crime e se recusam a aceitar os riscos incômodos inerentes ao serviço de combatê-lo.
Ser de esquerda assim é muito fácil. É como quem quer ir para o céu, mas não deseja morrer. Disse e repito: a “doutrina Maria do Rosário” está com seus dias contados e quem a está sepultando não é o exército: é a opinião pública.
O “Bolsonazismo” é apenas a alternativa disponível para os mal informados e, em caso de sua vitória, não serão poucos os que se arrependerão. Está na hora da esquerda brasileira, diante do fenômeno, se perguntar com uma sinceridade que muito lhe tem faltado: onde foi que nós erramos?
Comecemos por aí.
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