
Por Luis Sérgio Santos
No dia 15 de novembro de 1985, Paes de Andrade foi eleito prefeito de Fortaleza. A notícia estava publicada no Jornal do Brasil, edição do do dia seguinte, baseada em uma pesquisa do Ibope.
O Ibope dava a vitória de Paes de Andrade (PMDB) com 39,5% dos votos válidos. E anunciava as derrotas de Lúcio Alcântara (PFL) com 23,1% dos votos e de Maria Luiza Fontenele, com 20,3%. Outros quatro candidatos juntos somavam 5,7% dos votos. O percentual de indecisos era alto, 11,4 dos votos. Na metodologia, o Ibope informava que a pesquisa for a aplicada em Fortaleza, emm800 questionários, entre 8 e 14 de novembro daquele ano.
A manchete do Jornal do Brasil no dia seguinte da eleição, edição de sábado, 16 de novembro de 1985, alto da página 7, em seis colunas, não deixava dúvidas: “Paes de Andrade e Mota derrotam coronéis do Ceará”.
O texto era incisivo: “O deputado Paes de Andrade, do PMDB, será o novo prefeito de Fortaleza, com grande diferença sobre os demais candidatos, segundo o prognóstico eleitoral da última pesquisa JB-Ibope. Os resultados da pesquisa dão39,5% dos votos a Paes de Andrade.”
À época o JB, ainda propriedade da família Nascimento Brito, tinha uma redação dirigida por jornalistas consagrados: Fernando Pedreira, redator chefe, Marcos Sá Correa, editor e José Silveira, secretário executivo.
Foi uma “barrigada” homérica.
A eleição de 1985 foi aquela em que Fernando Henrique Cardoso, candidato na cidade de São Paulo, pousou para uma foto sentado na cadeira do prefeito. Era o grande favorito, já exultava a vitória. Perdeu para Jânio Quadros.
A vitória de Paes de Andrade em Fortaleza saiu na primeira página.
A ficha só foi cair dias depois, quando a lenta apuração dos votos mostravam que Fortaleza virou. Maria Luiza Fontenele (PT) foi eleita prefeita de Fortaleza.
Esse episódio é apenas mais um na história que mostra a volatilidade do votos em cenário de ampla correlação de forças.
Seria bom que os favoritos de hoje tivessem pelo menos alguma lembrança da história recente do Brasil. Já ganhou não combina com eleição. E a única pesquisa que não erra é aquela do voto universal na urna eletrônica. Ela não tem margem de erro. Nem indecisos.







