
Colegas de uma lista retornam a um debate sem sentido: seria Pontes de Miranda um plagiador? Um debate, diversas opiniões. Evocaram Heidegger. Sempre evocam algum sábio. Falta-me paciência ao tema.
Lembrei-me que, um dia, perdido no tempo, ouvi da princesa, minha primeira mulher, no final do casamento: “nunca mais caso na vida”.
Antes ela me acusou, essas coisas. Gesticulava. Conclui: não tem mais jeito.
Bem, tocar a vida, é o que resta. Não estava bem. Revisava. Tentava encontrar os pontos. Depois, nos frios da razão, interpretei: eu fui tão bom que ela não quer mais casar.
A frase “nunca mais caso na vida”, me voltou, agora pela boca de outra moça, minha segunda mulher, mais um vez no final do casamento.
E, Deus meu, o que você planejou a esse modesto pecador? Pois a frase “nunca mais caso na vida” voltou mais uma vez no final do terceiro casamento.
Então seria certa mesmo aquela primeira interpretação: “eu fui tão bom que ela não mais quer casar”?
Dúvida. Periclitação. Mas tomei uma decisão de mim para mim, e sem essa de recurso, sem essa de debate entre o acusador super-ego se aproveitando daquela então fragilidade do ego, aquela de se auto-acusar, aquele litígio dentro de mim: vou me fixar nessa interpretação e não mais se pensa sobre isso, quando o pensamento vier vindo, transfiro a mente a outro pensamento. Nem sempre se consegue.
Bem, caros amigos de tão ilustrada lista: essas três falas das três princesas configuram plágio? Daí minha defesa, que vocês educadamente toleraram: de que nem sempre é plágio, as princesas não se conheciam.
Passei a não gostar do tema “plágio”. Evitar um pouco.
E nenhum das minhas princesas saberia quem é Pontes de Miranda. Muito menos Heidegger. E nem querem saber, resolutas. E quão bem a vida ia seguindo sempre dentro da pragmática. E nenhuma delas é da área jurídica. E eu adorava a jurisprudência delas.
Todas usavam biquínis curtos e coloridos, eram alegres, e me levavam a praia e ao sol, me banhava com elas nas águas e nas espumas do Atlântico, dominado, hipnotizado, obcecado, e essas três relações foram maravilhosamente e gostosamente parecidas, e hoje a memória me embaralha, qual era qual naquele qualquer dia que se foi. Hoje tenho essa reserva de memória, tão boa e tão doída. Saudade do sol, saudade do sal, e saudade de matar daqueles biquínis.

Augustino Chaves é juiz federal e assessor da Presidência do STJ em Brasília.







