
Por Ricardo Alcântara*
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É certo que a intervenção do Exército na Segurança Pública do Rio de Janeiro, pelas características ostensivas que a define, precisa ser monitorada de perto por todas as organizações que de algum modo cuidam de zelar pela garantia dos Direitos Humanos.
Afinal, a imensa maioria dos seus habitantes de favelas e periferias urbanas – corpo onde está inoculado o centro físico das operações do tráfico de drogas – é de estudantes e trabalhadores que vivem à margem das atividades do crime organizado.
Torna ainda mais pertinente a necessidade deste monitoramento social a inacreditável imprecisão dos termos, aprovados por maioria no congresso, que definem a natureza e os limites da operação interventora. Não se deveria decidir uma operação como aquela em termos tão vagos.
Apenas lamento que muitas daquelas organizações, de evidente identidade com o ideário remanescente de esquerda e agora tão ciosas em defender a tranquilidade dos inocentes, não tenham demonstrado o mesmo apreço quando se omitiu de cobrar do Estado medidas mais eficazes de combate aos contingentes do crime.
Querem ver? Respondam rápido: cite uma única medida de impacto que os governos lulistas adotaram no combate ao tráfico de drogas? Não tem. Nem lhes foi cobrado pelos tantos que alimentam agora sentimentos humanitários pelos agentes do crime, mas pouco ofereceram, por exemplo, àquele pai que assistiu um juiz de primeira instância mandar soltar o animal que estuprou sua filha.
Em suma, nos limites inalienáveis da Democracia, é possível e necessário adotar medidas excepcionais para a conjuntura de crise extrema – e não necessariamente estas que estão aí. Há experiências bem sucedidas em outros países e a discussão é mesmo demorada e controversa.
Mas é notória a tranquilidade que dá ao crime organizado saber que o círculo de proteção social que lhes garante a favela tem vigilantes defensores nas bem intencionadas organizações que, na defesa do corpo, acabam por proteger a própria doença. E não há soluções fáceis.
*Ricardo Alcântara é escritor e publicitário e filiado à Rede Sustentabilidade.







