
O fato: A entrada da Geração Z na vida adulta no Brasil tem sido marcada por decisões mais cautelosas, com prioridade para a organização financeira antes de projetos pessoais como sair da casa dos pais, casar ou formar família. É o que revela o estudo “Gen Z – Os novos autores da cultura”, realizado pela MindMiners com quatro mil brasileiros das classes A, B e C, com jovens entre 18 e 28 anos.
Segundo a pesquisa, 52% dos jovens ainda moram com os pais, enquanto apenas 16% vivem sozinhos, indicando uma transição mais lenta para a independência em comparação com gerações anteriores.
Contexto: O cenário econômico aparece como fator central nesse comportamento. O levantamento aponta que 25% da Geração Z não trabalham nem estudam e que, entre os jovens empregados, a renda média mensal é de até R$ 2.400. Diante disso, 52% dos entrevistados afirmam que alcançar estabilidade financeira é a principal prioridade para os próximos dez anos, à frente da construção de uma carreira (34%) e da compra da casa própria (23%).
Apesar do adiamento de decisões, valores tradicionalmente associados à vida adulta permanecem relevantes. Sete em cada dez jovens (72%) dizem valorizar o casamento e a formação de família, e metade afirma desejar se casar formalmente. O dado sugere menos uma ruptura de valores e mais uma avaliação criteriosa das condições necessárias para concretizar esses planos.
A pesquisa também chama atenção para a saúde emocional. Mais da metade dos jovens (53%) relata níveis elevados de ansiedade, acima da média nacional. Ainda assim, o cuidado com a saúde mental é visto como fundamental por 85% dos entrevistados, e 42% já buscaram apoio profissional, principalmente psicológico.
Comportamento e perspectivas: As finanças pessoais seguem no centro das preocupações. Entre os jovens ouvidos, 28% destacam o desejo de alcançar independência financeira e 27% relatam dificuldade para poupar. Em contrapartida, 76% afirmam acompanhar seus gastos regularmente, com forte uso de aplicativos de bancos digitais.
A educação é apontada como principal estratégia de mobilidade social. O estudo indica que 80% consideram os estudos essenciais para melhorar a renda e a trajetória profissional, e 68% pretendem continuar se qualificando. No consumo de mídia, WhatsApp, YouTube e Instagram lideram, enquanto o uso de ferramentas de inteligência artificial já faz parte da rotina de 71% dos jovens, sobretudo para estudo e trabalho.
O levantamento aponta que a Geração Z segue construindo seus projetos de vida, mas com mais planejamento financeiro e atenção ao cenário econômico, avançando de forma gradual rumo às decisões pessoais tradicionalmente associadas à vida adulta.






