Por que importa: com duas cadeiras em jogo, a eleição para o Senado no Ceará não se decide apenas por quem lidera — mas por quem consegue consolidar o segundo voto. É aí que a disputa permanece fluida.
A leitura dos quadros da pesquisa do Real Time Big Data confirma Capitão Wagner como o nome, até aqui, mais consistente da corrida. Ele lidera todos os cenários consolidados, aparece forte tanto no primeiro quanto no segundo voto e mantém desempenho estável mesmo quando o cardápio de candidatos muda. Wagner tem base própria, recall elevado e transversalidade eleitoral, atributos decisivos em disputas majoritárias com dois votos.
A segunda vaga, porém, é onde o jogo hoje realmente acontece. A essa altura, as pesquisas acabam influenciando as escolhas partidárias, que só vão acontecer em agosto.
O bloco competitivo
Em diferentes cenários, alternam-se na segunda posição:
- Junior Mano, com bom desempenho quando incluído, especialmente no primeiro voto;
- Eunicio Oliveira, que mantém presença constante e competitiva, sobretudo nos cenários mais enxutos;
- Jose Guimarães, que cresce quando o campo governista é mais claramente apresentado;
- Priscila Costa, que aparece com força relativa no segundo voto, indicando potencial de crescimento em campanha.
Nenhum deles, contudo, consegue ainda descolar de forma definitiva dos demais.
Primeiro voto x segundo voto
Os quadros detalhados mostram um dado crucial:
- O primeiro voto tende a ser mais concentrado e identitário.
- O segundo voto é mais volátil, estratégico e sujeito a alianças, rejeições e arranjos de chapa.
É nesse segundo voto que surgem percentuais elevados de nulo/branco e NS/NR, frequentemente acima de 20%. Isso indica um eleitorado que, claro, ainda não fechou questão sobre a segunda escolha, abrindo espaço clássico para crescimento na reta final.
Fragmentação e dependência do contexto majoritário
Diferentemente da disputa presidencial, o Senado no Ceará não apresenta um eixo ideológico dominante. O desempenho dos candidatos varia conforme:
- o alinhamento (ou não) com Lula;
- a composição das chapas ao governo;
- a capacidade de transferência de voto dos líderes majoritários.
Nesse contexto, Wagner aparece como voto, digamos, “seguro” para grande parte do eleitorado. A segunda vaga tende a ser definida por composição política, não apenas por desempenho isolado.
Em síntese
A pesquisa Real Time Big Data desenha um cenário claro para o momento: Capitão Wagner está consolidado. Porém, o cenário é movediço e tudo que é parece sólido pode desmanchar. A segunda vaga, disputada voto a voto entre Junior Mano, Eunício, Guimarães e Priscila, apresenta alto grau de indecisão. A eleição para o Senado no Ceará será menos sobre quem lidera e mais sobre quem consegue se tornar a escolha complementar do eleitor.
A pesquisa Real Time Big Dataentrevistou 2.000 eleitores do Ceará, entre os dias 2 e 3 de fevereiro, por meio de entrevista presencial. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos do próprio instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral)sob o protocolo CE-07935/2026.











