Sarto à beira do abismo; Por Ricardo Alcântara

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Como vocês sabem, um prefeito que se lança à reeleição se submete a um plebiscito: se o seu desempenho à frente da prefeitura não convencer, nenhum outro argumento convencerá.

Em geral, como eles detêm o controle da máquina administrativa e suas possibilidades de distribuir benefícios, conseguem construir uma aliança robusta e com bom volume de tempo de propaganda na televisão.

Daí que frequentemente os percentuais de aprovação da gestão melhoram no curso da campanha. Somado a isso a capilaridade de suas brigadas comunitárias, capitaneadas por candidatos a vereadores, quase sempre os prefeitos de avaliação popular razoável ocupam lugar na disputa de segundo turno.

No caso de Fortaleza, dessas duas pernas de José Sarto (tempo de televisão e capilaridade espacial), uma é mais curta do que a outra: o prefeito não conseguiu formar uma aliança robusta.

Decisão fatal, que certamente lhe custará a eleição, foi o pouco espaço concedido na gestão ao partido de Domingos Filho, o PSD, que se transferiu de mala e cuia para as hostes sob comando do lulismo no Ceará, o que desequilibrou o jogo e não a favor do prefeito.

Não ignoro o poder das redes sociais e do uso de sua linguagem peculiar para atrair a atenção do chamado homem comum para quem passou ¾ de sua gestão se escondendo da cidade, mas as performances lacrativas do prefeito soam bizarras quando confrontadas com “o quanto ele deixou de cumprir”.

Uma coisa é, por exemplo, o prefeito de Recife, João Campos, cujo governo priva de quase 80% de aprovação, fazer sua campanha numa vibe tik tok. Outra, muito diferente, é observar fazendo o mesmo um prefeito que tem tantas explicações a dar à população sobre “a experiência com coisas reais”.

Desse, espera-se que se esforce em demonstrar que a percepção popular não corresponde aos fatos e fora distorcida por motivos outros, alheios à prática cotidiana de sua governança. Com pouco tempo de televisão, o desafio dobra em envergadura.

Ainda que Sarto distribua para toda a população aqueles óculos escuros que se tornaram símbolo de campanha, ainda assim ela continuará enxergando os espaços amplos de omissão de sua gestão.

Para finalizar, as pesquisas recentes, todas convergem em dois aspectos: Evandro Leitão e André Fernandes estão crescendo na direção de uma polarização esquerda-direita e o flash do momento é de empate geral em intenções de votos.

Em meio a isso, Sarto parece ter esgotado seu modesto arsenal de efeitos especiais e uma recuperação sua seria hoje recebida como a menos provável surpresa das pesquisas que virão.

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