
Professor do curso de Ciências Econômicas da UniFanor Wyden; Fellow Associate of the Chatham House – the Royal Institute of International Affairs e Membre Associé du IFRI – Institut Français des Relations Internationales.
A Uber, a maior empresa de transportes privados do mundo é a grande expoente da “economia dos aplicativos”. Foi introduzida no mercado como um fenômeno, algo que viria revolucionar a vida das pessoas e consequentemente os mercados de automóveis e locomoção do mundo inteiro.
De fato a Uber realmente alterou de maneira significativa a maneira como nos locomovemos e ao fazer isso criou-se uma “lenda empreendedora” com frases do tipo “a maior empresa de transportes do mundo não possui nenhum carro” ou “em breve as pessoas não possuirão mais automóveis pois todos usaremos aplicativos de transporte”.
Sempre fui muito cético com revoluções disruptivas que magicamente alterariam nossa maneira de viver do dia para a noite. As primeiras confusões do Uber e de outros aplicativos menores como 99, Lyft, entre outros se deu por conta de não respeitarem as diversas legislações ao redor do munto no quesito ao transporte público ou privado de passageiros, o que passou a se tornar um grande problema.
Leis trabalhistas sejam na California, no Brasil ou em Londres também se apresentaram como problemas sérios ao Uber. Com aumento do número de carros disponíveis, o que mais se ouvia era que pelo lado dos motoristas os custos de manutenção dos carros e as baixas tarifas das corridas apertavam demais as taxas de lucros dos motoristas, tornando cada dia mais difícil ser motorista de Uber.
O mais complexo e é neste ponto que faço minha maior crítica é que com 10 anos de mercado o Uber nunca deu 1 dólar de lucro. Como toda Startup sabemos que existe uma forte necessidade de investimentos para expansão, neste caso a nível global, entretanto investidores esperam que um dia os valores aportados retornem, caso contrário a empresa está fadada a falência.
Com demissões de vários diretores financeiros nos últimos anos, alguma coisa não estava cheirando bem para a estrela maior das Startups. O IPO de sua concorrente Lyft no último dia 11 de abril gerou uma queda de 17% no dia subsequente em suas ações, foi um desastre. No dia 12 de abril a Uber lançou seu prospectus para o IPO no qual sinaliza as dificuldades dentro do mercado, com um maior número de concorrentes e que “May not achieve proftability”, ou seja a empresa talvez nunca dê lucro e se admite isso.
Lucro é a base de toda economia capitalista, inclusive no mundo das Startups. Não basta que existam valorizações artificiais das ações em busca de um futuro que nunca chegará. Se a Uber estiver certa em seu prospectus e continuar como uma empresa que consome caixa ano após ano, sem perspectiva de lucro e pressionada com uma concorrência crescente, o mundo no qual as pessoas não vão possuir carros terá passado de uma mera conjectura sonhadora e a revoulação chamada Uber se tornará apenas uma continuidade da bolha dot.com.
Dentro da ideia de Shared Economy outro fator chama muito a atenção são os aplicativos de delivery no Brasil. Além do Ifood, temos o Rappi e o Uber Eats. Em maio deste ano a Glovo uma empresa espanhola encerrou suas operações no Brasil destacando em um comunicado as baixas margens e grande concorrência no mercado brasileiro.
Ou o mercado dos aplicativos se tornou extremamente dinâmico que está subvertendo a logica do capitalismo ou existe algum tipo de falha de mercado que está auto-destruindo parte dessa economia de aplicativos digitais.
Ainda não existem analises mais profundas sobre a sustentabilidade desse setor pois ao contrário das primeiras empresas virtuais nos anos 2000, as quais eram em sua grande maioria de capital aberto, essas novas startups possuem em sua maioria capital privado e operam em uma nova lógica econômica ainda em teste.
Pode não ser, mas que tem cara, tem cheiro e tem jeito, é que estamos de frente para uma nova bolha, agora dot.app.







