
Talvez, uma das palavras mais demonizadas nos últimos tempos, tenha sido “privatização”. A origem é certa: vem da cultura estadista, onde as pessoas acreditam que o Estado é um provedor. Associado a uma propaganda que mostra um Estado eficiente e que as estatais são nossas. Quem não se lembra do slogan “O Petróleo é Nosso”?
Mas a verdade é que a história mostra que o Estado patrimonial só é bom mesmo para os políticos, os servidores e os empresários “amigos” e para a sociedade em geral sobra um ônus de uma máquina inchada e ineficiente.
Recente pesquisa do Datafolha mostra que 70% dos brasileiros são contra as privatizações. É incrível perceber isso mesmo depois de toda a dilapidação que houve nos últimos anos na Petrobras. Em que a estatal foi claramente usada em benefício de um partido e de alguns “amigos do rei”.
Parte da aversão que a população criou sobre o tema é fruto de uma ideia equivocada de que toda privatização gera necessariamente demissões em massa. Mas essa conta é mais complexa. De fato, há setores que perderam postos de trabalho depois da desestatização. Porém, há exemplos em que a privatização promoveu um rápido crescimento das companhias e o consequentemente aumento de mão-de-obra.
O quadro de pessoal da Vale do Rio Doce, por exemplo, foi multiplicado por quatro e o da Embraer por três. Além disso, quando se fala em geração de empregos, deve-se levar em consideração o número de postos de trabalho gerados nas empresas prestadoras de serviço dessas estatais, que em muitos casos são números consideráveis.
Essa falácia faz com as pessoas não consigam enxergar o óbvio: o Estado não é um bom administrador de empresas. Um caso clássico é o dos Correios, que detêm o monopólio garantido por lei para entrega de correspondências pessoais e comerciais, além da emissão de selos, mas dá prejuízos ano a ano. Se a empresa for vendida, o investimento e risco irão para as mãos do comprador. E, caso dê prejuízo, não será mais debitado na fatura do contribuinte.
Porém, quando se leva o tema apenas para o campo político-ideológico, perde-se a oportunidade de promover um debate racional sobre esse tema, mostrando para a sociedade que há muito mais benefícios do que malefícios nas privatizações. Muitas vezes, a palavra é tão criticada, que os políticos a tiram de circulação, com medo de perder votos.







