
Freitas Cordeiro
Em Post Convidado
Semana passada, participei de evento onde figura de destaque da equipe governamental, na esfera federal, iria proferir palestra discorrendo sobre a realidade econômica brasileira e as perspectivas de futuro.
Aquela personalidade, das mais respeitadas nos circuitos palacianos, agora, flechado por aspirações políticas, já adoça a sua fala visando a pescaria de votos.
Não precisa ser economista para constatar que não foi adotada qualquer medida macroeconômica impactante que tenha interferido na essência dos meios produtivos, capazes de gerar resultados duradouros.
A carga tributária que tem se constituído em trava das mais perversas no desempenho de todos atores produtivos, indutora dos contribuintes ao esgotamento, sofre ameaça de recrudescimento, alternativa das mais fáceis e menos honrosa com o propósito de alimentar os desmandos escabrosos de uma administração pública corroída em todas as instâncias.
Falta “cirurgião” corajoso para sarjar o descomunal abcesso purulento da máquina estatal, estufada por um exército brancaleônico de funcionários públicos super remunenerados, magistrados e parlamentares com regalias inauditas, desacreditando e desestabilizando todos poderes da república.
Grassa corrupção endêmica induzindo à falência todos órgãos de segurança pública, resultando no fatiamento do território nacional em feudos onde impera o comando de facções criminosas, prostando a Nação aos pés de contraventores.
Gostaria de valorizar as estatísticas que apontam para uma recuperação, contudo, a experiência acumulada no percurso extenso de minha vida revela, apenas, o já surrado e sistêmico efeito gangorra, num sobe e desce massacrante.
Confesso que já me encontro no limite do conformismo, do faz de conta, incomodado em eventos deste jaez, onde se escuta o que não se quer e se aplaude o que não se acredita.
Reunidos naquele auditório estavam muitos empresários, raros expoentes de nossa inteligência, contudo comprometidos com as regras da conveniência e convivência social que os impede de manifestações fora da caixa.
Caminhamos todos, qual cordeiros, para o sacrifício, hecatombe final, sem que consigamos uma articulação efetiva que restabeleça a ordem e a disciplina, de que somos carentes.
Naquele recinto, inadvertidamente, por impulso natural, num círculo fechado, suscitei operação de choque para o enfrentamento do “status quo”, conferindo ao cidadão, através do porte de arma, o seu direito constitucional à legítima defesa de sua vida ou a de terceiro.
Foi como falar de corda em casa de enforcado. Esqueci que me encontrava no espaço privilegiado de um “Brasil ideal” onde os veículos blindados, as casas com segurança e as escoltas armadas, asseguram a seus moradores um ilusório estado de segurança.
Enquanto nossas lideranças representativas não acordarem para a grave situação em que se encontra o “Brasil Real” e exigirem uma mudança traumática no “estado” que aí se encontra instalado, a situação só se agravará, estocando combustível para um conflito civil de incalculáveis dimensões.
Não esqueçamos o axioma: “a história se repete”. Seria a “Revolução Francesa”?
Pense nisso….
Freitas Cordeiro é empresário e líder classista







