Ucrânia hoje: Zelensky fica (com a conta, inclusive). Por Ricardo Alcântara

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Ricardo Alcântara é publicitário e escritor.

O Presidente da Finlândia, Sauli Niinistö, tem sido interlocutor frequente de seu colega russo, Vladimir Putin. Por isso, e por sua posição histórica de neutralidade, suas projeções sobre as intenções de Moscou costumam receber boa escuta na margem ocidental do Elba. Sauli conversou com Putin na última sexta-feira. Logo a seguir, na segunda-feira, afirmou em entrevista à CNN dos EUA que o líder russo “parece ter desistido de uma mudança de regime em Kiev como um dos objetivos da sua guerra”.

Como a declaração se deu logo a seguir de seu diálogo, analistas experientes passaram a considerar em suas palavras mais do que uma análise pessoal: poderia estar ali uma sinalização autorizada por uma Moscou assustada. Se é este o cálculo, faz sentido: pode sair bem mais em conta para Putin deixar Volodimir Zelensky no poder por mais um tempo, pois herdará a conta de recuperar a economia e a infraestrutura de seu país e levará todo esse passivo para sua tentativa de reeleição.

No entanto, para por fim à guerra – que já poderia ter vencido com um maior número de vítimas civis, porém a um custo político irrecuperável – de três coisas o líder russo não deverá recuar, senão na hipótese – muito remota – de ser derrotado em armas pelas tropas da defesa ucraniana:

1) Um Tratado de neutralidade, com a Ucrânia fora da União Europeia e da aliança militar ocidental (OTAN).
2) O reconhecimento definitivo da reanexação da Criméia ao território da Rússia.
3) Autonomia nacional para a região ocupada ao leste pelos separatistas (Donesk e adjacências).

Ora, nessas condições o governo Zelensky será, para os bezerros sedentos dos países ricos do Ocidente, uma teta murcha, e deles não receberá recursos na medida suficiente para recuperar seu país nas proporções punjantes que lhe garantam um novo mandato. – é o cálculo que Putin pode estar fazendo.

Por fim, o presidente finlandês deixou uma advertência no ar sobre o estilo “casca grossa” de quem controla hoje o maior arsenal nuclear do planeta: “Putin, eu conheço: não é dado a blefes. Ele tem sua lista. E dele não se espere nenhum recuo quanto a isso”.
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Ricardo Alcântara é escritor e publicitário

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