STF: Ceará pede inclusão de municípios e IBGE em litígio secular de território com o Piauí

COMPARTILHE A NOTÍCIA

Ministra Cármen Lúcia do Supremo Tribunal Federal, relatora da ação que trata sobre a demarcação de território entre os estados do Ceará e Piauí. Foto: Divulgação

Equipe Focus
focus@focuspoder.com.br

Exclusivo– Em mais um capítulo do confuso imbróglio jurídico que se arrasta há mais de dois séculos, o estado do Ceará apresentou petição junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para incluir os municípios envolvidos no litígio territorial com o Piauí, bem como também chamar o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como parte no processo judicial inicializado em 1758. No caso, a ministra Cármen Lúcia é a relatora da Ação Cível Ordinária e determinou a realização de perícia pelo Exército Brasileiro sobre os limites entre os dois estados vizinhos. A questão envolve 21 municípios, sendo treze cearenses e oito piauienses, com uma área de 13 mil quilômetros quadrados e que abrange cerca de 245 mil pessoas.

Focus teve acesso a petição assinada por Camily Cruz, procuradora-geral do estado do Ceará, e protocolado junto ao STF na última sexta-feira, 3, onde questiona sobre os critérios a serem utilizados pela demarcação das fronteiras, pois entende que “este papel não é do perito, enquanto auxiliar da justiça, mas do órgão julgador (STF)”. Neste ponto, a procuradora forma opinião ao destacar que o documento Convênio Arbitral de 1920 usado pelo estado do Piauí para aumentar seu território não tem eficácia ou mesmo validade do ponto de vista jurídico. “Deve-se ponderar que este mesmo Convênio, o qual serve de fundamento à petição inicial, não é um documento estático e alheio à realidade”, enfatiza Camily.

Do ponto de vista dos prejuízos econômico, jurídico e político para o estado cearense, a chefe da PGE chama atenção quando frisa que “Território constitui uma esfera de exercício de soberania ou autonomia política, e dentro desta dinâmica estão não apenas os Estados, mas os Municípios, enquanto entes autônomos e que integram o modelo de federação brasileiro. Estes Municípios se relacionam, jurídica, política e economicamente com os Estados da Federação que integram, com recebimento de receitas, investimentos, além de submeterem à sua jurisdição (os Municípios não possuem poder Judiciário)”.

Já em relação à participação do IBGE no processo judicial, a procuradoria-geral do Ceará destaca que existem componentes históricos, sociais, fáticos e culturais que devem ser observados. Em dado momento processual, tentou-se uma oportuna e salutar composição entre as partes, com a remessa do caso à Câmara de Conciliação e Arbitragem da Advocacia Geral da União, que resultou em um trabalho técnico desenvolvido pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Com base nesse estudo do instituto, que realizou a análise histórico-documental, com atenção a aspectos geográficos, culturais, sociais e trabalho de campo, o estado do Piauí abortou o processo de composição ao notar que a decisão não seria favorável ao seu pleito junto à Câmara de Conciliação e Arbitragem da Advocacia Geral da União. Argumenta a procuradora Camily Cruz.

Os dois lados afirmam que o seu direito deve prevalecer, sendo que atualmente o processo está aguardando uma perícia a ser elaborada pelo Exército brasileiro. Assim, o estudo técnico vai ser feito nos limites dos seguintes municípios do Ceará: Granja, Viçosa do Ceará, Tianguá, Ubajara, Ibiapina, São Benedito, Carnaubal, Guaraciaba do Norte, Croatá, Ipueiras, Poranga, Ipaporanga e Crateús. Já pelo lado do Piauí, a perícia vai recair sobre os municípios de  Luís Correia, Cocal, Cocal dos Alves, São João da Fronteira, Pedro II, Buriti dos Montes, Piracuruca, São Miguel do Tapuio.

Ao fim, o estado do Ceará requer que todos os municípios sejam citados para serem partes na referida ação judicial, assim como pediu que o IBGE fosse chamado na condição de colaborador do processo como “amicus curiae“.

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado

Atlas/Focus: Elmano 49,9% x Ciro 49,6% dos votos válidos; Ceará chega à urna separado por um fio

Focus/Atlas: Aprovação de Elmano vira a favor; Avaliação do governo melhora, mas continua dividida

Atlas/Focus: Cid e Luizianne nas duas primeiras posições no Senado; dupla abre vantagem sobre Wagner e Alcides

Atlas/Focus: Elmano avança entre os mais velhos e nas faixas de maior renda; Ciro concentra vantagem entre jovens

Atlas/Focus a seis dias da eleição: Elmano 49% x Ciro 47,6%

Coligação de Ciro Gomes tenta barrar pesquisa Atlas/Focus, mas TRE rejeita e impede censura

Atlasintel: A polícia e a confiança que ainda resiste

Atlas/Focus: Lula mantém vantagem larga no Ceará, mas avanço de Flávio reduz distância

Atlas + Focus: Cid lidera consolidado, Luizianne encosta e Wagner mantém disputa aberta entre os três primeiros

Focus/Atlas: O placar muda com Elmano 48,5% x Ciro 48% e disputa entra na reta final em claro empate técnico

Entenda a super sexta-feira: três pesquisas e três fotografias em uma disputa que continua aberta

MAIS LIDAS DO DIA

Bacia do Ceará volta ao centro do mapa do petróleo com leilão de oito blocos em águas profundas

ConheCER amplia alcance nacional com transmissão online e pretende reunir mais de 400 participantes em todo o país

Sete em cada dez parlamentares eleitos têm baixo alinhamento com agenda ambiental

Fechadas as contas eleitorais, faltarão os ajustes para a governabilidade; Por Paulo Elpídio

Boa notícia: Petrobras e QatarEnergy abrem nova fronteira do petróleo no Ceará

Nota de Ciro Gomes: mais amarga do que a derrota; Por Ricardo Alcântara

Seminário internacional traz pesquisadores, educadores e agentes de transformação social para Fortaleza

Produção de veículos cresce 10,2% em setembro e atinge melhor resultado para o mês desde 2014

Faturamento da indústria de transformação cai 3,5% em agosto, aponta CNI