Com pesquisa e patente cearenses, curativo de pele de tilápia chega ao mercado; E o local da indústria?

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O que há de novo:
A tecnologia de curativo biológico feito com pele de tilápia, desenvolvida há 10 anos na UFC, vai virar produto industrial. A patente foi licenciada para a farmacêutica Biotec, que agora decide onde instalar a fábrica. Após uma série de negociações com as empresas aprovadas na primeira fase da Oferta Pública nº 01/2025, a Universidade Federal do Ceará (UFC) assinou, dia 10 passado, contrato com as empresas Biotec Solução Ambiental Indústria e Comércio Ltda. e Biotec Controle Ambiental Ltda, por meio do consórcio Biotec’s, para licenciamento da tecnologia.

O ponto central: Ceará criou. São Paulo pode levar. Pelo menos é o que fica claro em reportagem veiculada pelo UOL e assinada pelo jornalista Carlos Madeira. A pesquisa nasceu no Ceará, foi testada e validada no Ceará, virou referência mundial a partir do Ceará — mas nada garante que a fábrica será cearense. A Biotec já sinalizou que São Paulo tem vantagem logística por concentrar maior produção de tilápia e os processos de esterilização.

A patente: Além da UFC, também são detentores dos direitos de titularidade da tecnologia os médicos Edmar Maciel (coordenador da pesquisa) e Marcelo José de Miranda (idealizador da pesquisa). Para acessar a tecnologia, o consórcio Biotec’s deverá pagar o valor inicial de R$ 850 mil. Já ao longo da vigência do contrato, deverá pagar, no percentual de royalties, 3,7% da receita líquida derivada da exploração comercial da tecnologia, distribuídos entre os licenciantes.

Por que importa:
Se o Ceará não se mover, o estado perde:
• a cadeia produtiva do primeiro curativo biológico de tilápia do mundo;
• empregos de alta qualificação e mão de obra técnica;
• royalties indiretos que poderiam ficar no território cearense via geração de riqueza;
• visibilidade industrial em biotecnologia, setor estratégico para o futuro.

O que está em jogo:
A fábrica demandará R$ 48 milhões em investimentos e pode produzir:
• 1 milhão de unidades no 1º ano;
• até 30 milhões em três anos.
A demanda nacional é gigantesca: 1 milhão de queimados por ano. Cada paciente usa, em média, 22 peles.

Ceará tem argumento forte:
• Origem da ciência: a pele de tilápia foi pesquisada, validada e aplicada pela UFC.
• Infraestrutura científica: laboratórios e equipe que dominam o processo.
• Vocação produtiva: o Ceará é polo de aquicultura e pode expandir oferta de matéria-prima.
• Política industrial ativa: existe espaço para incentivos estaduais e municipais.

Abre aspas:
Se a patente não fosse transferida, morreria dentro do setor público”, diz Carlos Paier (UFC). “Em 48 horas o paciente deixa de sentir dor. Isso é uma revolução”, afirma Luciano Foianesi (Biotec).

Outros usos: a utiliazação da pele de tilápia vai muito além de curativo para cura de queimaduras. Em abril d 2023, o Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher da Unicamp (Caism) realizou procedimento experimental inédito: pela primeira vez, cirurgiões usaram pele de tilápia-do-nilo na reconstrução do canal vaginal de uma mulher transexual que havia passado, anos antes, por uma cirurgia malsucedida de redesignação sexual.

O movimento necessário agora:
O Ceará precisa agir — governo, setor produtivo e academia. Se não houver articulação política e econômica imediata, o maior avanço científico cearense do século sai daqui, mas gera emprego e riqueza em outro estado.

Olhe para frente: A biotecnologia está virando um novo mercado. A pele de tilápia é só o começo. A decisão da Biotec pode definir se o Ceará será apenas o berço da inovação — ou também o território que transforma ciência em indústria.

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