Uber é processada pelo MPT e pode pagar R$ 321 milhões por programa de assinatura para motoristas

COMPARTILHE A NOTÍCIA

 

Foto: Reprodução

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil pública contra a Uber Brasil e pediu a suspensão do programa “Passe para Motoristas”, além do pagamento de R$ 321 milhões por danos morais coletivos.

O órgão também solicita que a Uber devolva aos motoristas todos os valores já pagos pelo programa, que cobra uma taxa para que os condutores possam aceitar corridas pelo aplicativo. Segundo o MPT, a cobrança pode ultrapassar R$ 1 mil por mês para alguns trabalhadores.

Na ação, o procurador Luiz Antonio Nascimento Fernandes afirma que a prática pode caracterizar trabalho análogo ao de escravidão, por supostamente “submeter o trabalhador a um regime de servidão por dívida”.

Uber contesta acusações

Em nota, a Uber afirmou que “refuta as conclusões apresentadas pelo MPT na ação” e que apresentará à Justiça, dentro do prazo legal, as informações necessárias para esclarecer os questionamentos.

A empresa classificou as acusações como baseadas em “concepções equivocadas” sobre o funcionamento da plataforma e em posições ideológicas sobre a relação entre os motoristas e o aplicativo.

Segundo a Uber, o modelo de assinatura já é utilizado há anos por outros aplicativos de transporte individual privado no Brasil.

A empresa afirma que o “Passe para Motoristas” é uma alternativa ao modelo tradicional de cobrança de taxa por viagem e está em fase de testes para avaliar sua adaptação a diferentes mercados.

Como funciona o Passe para Motoristas

Lançado em 25 de maio deste ano, o programa está disponível em 29 cidades brasileiras, incluindo Fortaleza.

O serviço funciona por meio de uma assinatura que permite ao motorista utilizar a plataforma. Existem duas modalidades:

• Passe por tempo: o motorista paga uma taxa fixa para utilizar o aplicativo durante 24 ou 72 horas. O período começa no momento da compra e continua correndo independentemente do uso da plataforma.

• Passe por ganhos: o motorista paga uma taxa única e pode realizar viagens sem novas cobranças de taxa de serviço até atingir um limite de ganhos estabelecido no aplicativo Uber Driver.

Segundo o MPT, o programa “inverte a lógica do risco do negócio”, ao transferir para o motorista o custo necessário para ter acesso às corridas.

A própria Uber informa que a contratação do passe não garante uma quantidade mínima de viagens ou de ganhos. A demanda pode variar de acordo com fatores como horário, trânsito, clima, sazonalidade e procura pelos serviços.

O MPT também quer acesso ao algoritmo

Além da suspensão do programa, o MPT solicitou acesso ao código-fonte do algoritmo da Uber.

O objetivo é analisar a transparência dos valores praticados e repassados aos motoristas, os critérios utilizados na distribuição das corridas e os mecanismos de precificação dinâmica adotados pela plataforma.

A ação será julgada pela 9ª Vara do Trabalho de Salvador (BA).

COMPARTILHE A NOTÍCIA

PUBLICIDADE

Confira Também

André Fernandes, o bloquinho e a ilusão de conquistar Fortaleza dançando para convertidos

Lula: a vitória de um sobrevivente político diante de um Brasil que mudou

Extensão da votação abre caminho para judicialização do segundo turno; disputa pode chegar ao STF

As pesquisas apontam para Flávio, mas a urna ainda pode contrariar os números

Onde os fracos não têm vez: Datafolha mostra placar com Flávio com 47% e Lula 46%; Nos votos válidos, é 50 a 50

Atlas/Bloomberg: Flávio abre 2,2 pontos sobre Lula

O Brasil que não acabou: a escala 6×1 e a história das mudanças que prometiam o caos

Sócia da Fraport, Lufthansa compra metade da TAP e o Ceará pode ganhar uma nova ponte aérea com a Europa

Cláusula de barreira põe dois federais a mais no colo do PSB de Cid Gomes

Com aplausos, Kátia Abreu expõe incômodo no PT: “Paulistas sem voto” e “menos Janja, mais Alckmin”

Atlas/Focus para presidente no Ceará: Lula amplia vantagem e chega a 60,8%; Flávio tem 28,9%

Atlas/Focus: dobradinha Cid-Luizianne soma 59,6% dos votos válidos para o Senado

MAIS LIDAS DO DIA

Refundação de coisa feita e de um elo perdido; Por Paulo Elpídio

Ambidestro: liderar entre o que funciona e o que precisa mudar e o Terceiro Paraíso; Por Marco Dalpozzo