Quixeramobim projeta aeroporto para acompanhar salto industrial puxado pela Transnordestina

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Projeção da pista do projeto de um aeroporto na área que tende a se transformar no mais importante equipamento de infraestrutura econômica do sertão do Ceara, em Quixeramobim.

Quixeramobim está preparando uma infraestrutura que pode mudar a escala econômica do Sertão Central. O município concluiu a topografia da área de 70 hectares destinada ao novo aeroporto regional, projeto estimado entre R$ 80 milhões e R$ 90 milhões, com pista de 1.800 metros. O aeroporto não nasce sozinho. Ele é uma das peças de um movimento maior que ganhou velocidade com a chegada da Transnordestina ao município e com a estruturação de um complexo que reúne porto seco, Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e área industrial.

É nesse ponto que entra o empresário Amarílio Macêdo. Macêdo não é apresentado como responsável pela construção do aeroporto. Seu papel está no outro lado dessa equação: é um dos principais nomes da articulação empresarial que pretende transformar Quixeramobim em um polo logístico e industrial conectado à ferrovia.

A área da Fazenda Canhotinho, pertencente à família do empresário, está sendo estruturada para receber o Porto Seco José Dias de Macêdo, a ZPE e o Centro Logístico Industrial do Sertão Central. Portanto, o aeroporto é consequência desse movimento. A lógica é direta: a ferrovia transporta cargas. O porto seco organiza a logística. A ZPE cria condições para a indústria exportadora. E o aeroporto melhora a conexão de empresários, executivos e operações que dependem do transporte aéreo.

Não por acaso, o projeto aeroportuário já era defendido pelo município como uma infraestrutura complementar ao novo polo industrial. Em 2025, a prefeitura afirmava que a combinação de porto seco e aeroporto seria um diferencial para atender empresas e executivos de fora atraídos pelos novos investimentos. Agora, o projeto avançou mais uma etapa.

Segundo o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Afrânio Feitosa, a área escolhida foi considerada tecnicamente viável após avaliações que incluíram condições de vento para pousos e decolagens. O plano de negócios está em fase de finalização e há interesse de investidores.

A conta começa a ficar grande
O aeroporto chega no momento em que Quixeramobim já contabiliza uma carteira de investimentos e projetos em prospecção superior a R$ 8 bilhões, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Quixeramobim. Há projetos em mineração, energia, logística e indústria.

A Value Global prevê investimentos de R$ 3,06 bilhões até 2028 para estruturar seu complexo logístico e polo industrial/ZPE ligado à Transnordestina. Uma indústria de autopeças negocia investimento de cerca de R$ 300 milhões. Também há tratativas para uma fábrica de drones e negociações com multinacionais dos setores de mineração e energia que, somadas, ultrapassam R$ 1 bilhão.

A própria atividade mineradora já começa a ganhar corpo. A Tempest Stones está em fase de instalação de unidade para produção de rochas ornamentais, enquanto outros projetos seguem em pesquisa e licenciamento.

Amarílio Macêdo, CEO e empresário da J.Macêdo. Foto: Divulgação
Amarílio Macêdo. Foto: Divulgação

A visão de Amarílio
O movimento ajuda a entender por que Amarílio Macêdo tem aparecido com frequência nas articulações sobre o futuro econômico de Quixeramobim. O empresário vem defendendo uma mudança de lógica: em vez de o Nordeste apenas fornecer matéria-prima e riquezas para serem transformadas em outras regiões, a ideia é criar no próprio território a infraestrutura necessária para industrializar, agregar valor e exportar.

Em julho, ao tratar da futura ZPE, Macêdo afirmou que havia empresas interessadas nos setores agroindustrial, de mineração e telefonia. O projeto, segundo ele, ganha força justamente pela combinação entre a Transnordestina e os incentivos associados à exportação. A ZPE e o porto seco, juntos, integram um projeto estimado em R$ 2,5 bilhões, segundo informações divulgadas pelo próprio empresário e pela administração municipal.

A chave é a integração
O aeroporto, portanto, precisa ser lido menos como uma obra isolada e mais como parte de uma infraestrutura de integração. Quixeramobim está tentando montar, no centro do Ceará, um sistema que combine ferrovia, logística, indústria, mineração, energia e transporte aéreo.

É como uma ciranda: a Transnordestina traz a carga. O porto seco organiza a carga. A ZPE transforma carga em produção. E o aeroporto pretende trazer pessoas, negócios e decisões para mais perto desse novo centro econômico. Seria, portanto, uma mudança de patamar para o Sertão Central. E também explica por que empresários do porte de Amarílio Macêdo passaram a tratar Quixeramobim não apenas como uma cidade com potencial, mas como uma possível nova fronteira de industrialização do Ceará.

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