
“Esquerda” e “Direita” são expressões que perderam o sentido topográfico da sua origem na Assembleia e na Convenção francesas. Não têm utilidade prática, sequer como metáfora.
Insistir nessa dualidade inútil, emprestando-lhe força e poder político e ideológico, é tempo perdido. O selo pega bem e se mantém em estruturas consolidadas da democracia dos tempos de Montesquieu. Perdeu, entretanto, a expressão de origem.
A polarização política na qual se acomodam as sociedades abertas, movidas a voz e a voto, reside em uma questão essencial: a da Liberdade. Da livre expressão, da pluralidade de opinião, da representação e do mandato. Como imaginar que a economia possa estar distante desse processo de organização da sobrevivência?
Que não seja uma “Frente”, “Front”, posto que termo gasto pelo uso indevido. Porém, que lembre luta e determinação.
Direita e Esquerda são velhos substantivos com um passado de más lembranças: o Holodomor, da morte por inanição provocada pelos bolcheviques, à esquerda. Os “pogroms” e o Holocausto, à direita. Lenin e Trotsky e os sovietes; Goebbels e Himmler e o nazismo. Mussolini e Hitler; Lenin e Stalin…
Palavras assumem o formato das ideias que designam, ainda que a semântica possa mudar-lhes a graça.
Nos países periféricos, na América Latina e mundo afora, a distribuição da riqueza e de oportunidades é parte de uma luta perseverante, sem quartéis, em defesa da liberdade e da democracia.
Seria possível, em alguns casos de maior gravidade, referir-se a um processo de refundação constitucional, e não a uma mera reconstrução de coisa feita, de um elo perdido.








