M. Dias Branco cresce em volume e fecha semestre com lucro de R$ 275 milhões

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Ivens Dias Branco Júnior, presidente executivo.

Cearense amplia vendas pelo quarto trimestre consecutivo, ganha participação de mercado e quase dobra investimentos em modernização das fábricas

A M. Dias Branco encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido de R$ 275 milhões e crescimento de vendas pelo quarto trimestre consecutivo. No segundo trimestre, a companhia comercializou 477 mil toneladas, alta de 4% sobre o mesmo período de 2025. No acumulado do ano, foram 885 mil toneladas.

O desempenho ocorre em um ambiente ainda pressionado por juros elevados, endividamento das famílias e mudanças no comportamento do consumidor. Mesmo assim, a empresa afirma ter ampliado sua participação em quase todas as categorias em que atua.

No segundo trimestre, o lucro líquido foi de R$ 169 milhões. A receita líquida recuou 1% na comparação anual, mas avançou em relação ao primeiro trimestre. Com o aumento do volume vendido e a diluição dos custos fixos, a margem bruta subiu de 33,4% para 34,2%.

A companhia também se beneficiou da redução de custos de matérias-primas, especialmente trigo, e do câmbio. O efeito, porém, veio acompanhado de queda no preço médio de algumas das principais categorias.

“Estamos vivendo um ambiente de consumo desafiador”, afirma Fábio Cefaly, diretor de Novos Negócios e Relações com Investidores.

Estratégia comercial
Segundo Cefaly, o avanço das vendas está relacionado à reorganização da estrutura comercial da companhia, que passou a trabalhar com diretorias específicas para Biscoitos e Massas, Food Service e Saudáveis e Snacks.

A empresa também ampliou ações diretamente no varejo, com promoções, ativações nos pontos de venda e campanhas de incentivo. Melhorias na operação e na logística contribuíram para elevar o nível de serviço aos clientes.

A Vitarella, uma das principais marcas do grupo, realizou no trimestre uma de suas maiores campanhas, com participação do cantor João Gomes e produtos inspirados nas festas juninas. A companhia também explorou o calendário da Copa do Mundo com produtos temáticos.

Adjacências ganham espaço
O grupo de produtos chamado Adjacências, que reúne categorias como bolos, snacks, misturas para bolos, torradas, alimentos saudáveis, molhos e temperos, voltou a apresentar desempenho acima da média.

A receita líquida da divisão cresceu 12,4% no segundo trimestre, na comparação anual. Foi o oitavo trimestre consecutivo de expansão.

A estratégia reflete a aposta da companhia na diversificação do portfólio, inclusive por meio de aquisições. Atualmente, cerca de 60% da receita da M. Dias Branco vem de marcas adquiridas ao longo dos anos, entre elas Adria, Piraquê, Vitarella e Jasmine.

Investimentos aceleram
Com aproximadamente R$ 2 bilhões em caixa e caixa líquido de R$ 767 milhões ao final do trimestre, a empresa entrou em uma nova fase de investimentos industriais.

O CAPEX chegou a R$ 101,8 milhões no segundo trimestre, quase o dobro do registrado um ano antes. No primeiro semestre, foram R$ 273,5 milhões, também praticamente o dobro do investimento realizado no mesmo período de 2025.

Os recursos estão sendo direcionados principalmente para automação, modernização de linhas de produção, embalagens e sistemas.

A empresa também contabilizou impacto de aproximadamente R$ 6 milhões provocado pelo aumento dos custos de frete associado à guerra no Oriente Médio.

Próximos passos
Para Gustavo Theodósio, vice-presidente de Investimentos e Controladoria e diretor de Relações com Investidores, o cenário econômico permanece complexo, mas a companhia está mais preparada para diferentes condições de mercado.

A estratégia combina crescimento orgânico, modernização das unidades industriais e novas aquisições. A M. Dias Branco mantém, portanto, duas frentes simultâneas: ganhar eficiência dentro de casa e ampliar o portfólio por meio de novos negócios.

O resultado do primeiro semestre reforça essa estratégia: mais volume vendido, avanço em categorias estratégicas e um ciclo de investimentos mais robusto, mesmo diante de um ambiente de consumo ainda desafiador.

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